O SAGRADO PEDIR
[Traduzido por Ana Spinelli]
(Uma viagem mental e visual puramente pessoal).
Costuma-se dizer que o crescimento espiritual começa quando se pede, e que todo mundo recebe de acordo com sua natureza. Dizer “dai-me”, especialmente em um contexto sagrado, é o mesmo que receber.
Na prática da Doutrina do Santo Daime na Fortaleza, a principal orientação é o lema: “Humildade é o símbolo da nobreza”. Isso conecta o pedir com o ter humildade.
Devo confessar que nem sempre é assim tão simples ou fácil. Na verdade, ainda vivo o desafio de tomar cuidado com o que peço. Em certo sentido, o poder de limpeza do Daime é um projeto de autopercepção que coloca um espelho à nossa frente. Nele nos olhamos. Desapegamos-nos do que é desnecessário. Firmamos nossas aspirações. Aprendemos a ser humildes e cuidadosos com aquilo que pedimos.
Acho que outros fazem algo similar. Estamos todos passando por uma limpeza, um aperfeiçoamento, um crescimento. Mas o objetivo está sempre movendo-se em direção a algo melhor. Aqui, ninguém descansa por muito tempo. Há sempre um Novo Horizonte a alcançar.
Embora eu tenha o dom da comunicação, tem sido um desafio viver entre meus amigos e minha família espirituais, falantes do português. É comum que o abismo idiomático me deixe baratinado, e esse é um motivo importante pelo qual eu sempre acabo recorrendo à arte visual. Com a câmera e o computador, busco formas de expressar a beleza que vejo. E é ótimo que eu adore produzir imagens tanto quanto aprecio falar.
Melhor ainda é ter cenários como esse para fotografar...
E uma mesa de trabalho como essa…
Uma noite tive a grata surpresa de ser visitado por uma nova amiga falante de inglês. Ela queria saber sobre a “minha história”, e isso me deu a oportunidade única de usar palavras, um monte delas! Ao contar a história, observei minha trajetória até aqui através de minhas lentes de morador da Fortaleza.
Revi minha juventude tão plena de aspirações. Nela, eu procurava formas de me “apresentar”; hoje, isso parece ter sido um jeito inteligente e bem-sucedido, embora um tanto fraudulento, de lidar com a própria imagem. Chama-se “faz-de-conta”. Lembro-me de ter dito, em um momento de desespero: “Por que não posso ser um dom em mim mesmo? Por que não podemos todos ser dons? Por que escondemos a criança interior? Não seria nosso direito de nascença termos uma vida de amor e beleza?”
Como é bom sonhar, não? Entretanto, todo o meu treinamento social ensinou-me que a realidade não funciona assim.
Minha compreensão só começou a mudar durante os meus anos como ativista, passando noites em claro durante todo o verão na antiga floresta de Bald Mountain, no sul do Oregon (estado dos EUA). Ali, pela primeira vez, fui capaz de ser simplesmente eu mesmo, de unir meu amor quase infantil pela natureza, meu desejo espiritual em servir a Rainha da Floresta e meu trabalho político pela proteção da comunidade florestal cheia de vida.
Na floresta, meu trabalho era bem simples: simplesmente estar ali e contar a história. Uma das formas de realiza-lo era caminhar pelos bosques ancestrais de pinheiros imponentes, recitando infinitas variações de uma oração simples do povo Navajo:
Com a beleza à minha frente, eu caminho
Com a beleza atrás de mim, eu caminho
Com a beleza acima de mim, eu caminho
Com a beleza abaixo de mim, eu caminho
Com a beleza dentro de mim, eu caminho
Com a beleza em toda a minha volta, eu caminho
E eu costumava acrescentar:
Toque a Terra e Seja Abençoado
Ela é mesmo linda.
Ela é mesmo linda.
Ela é mesmo linda.
Ela é mesmo linda.
No encantamento da Floresta Ancestral do Pacífico Nordeste, aprendi que o sonho da criança poderia ser uma realidade viva, e que eu poderia compartilhar publicamente quem eu sou.
Acredito que esse encantamento voltou, aqui na Fortaleza. Certamente me sinto abençoado por estar em um lugar tão lindo, com uma comunidade que realmente valoriza a nossa criança interior. Eu recebi o que pedi: caminho na beleza e conto a história. Mas agora passei a fazê-lo não como um ermitão solitário, mas como um membro da comunidade.
Desnecessário dizer que estou empolgado. Há algo nessa criança interior que me faz querer caminhar na beleza, criar arte e brincar visualmente. Essa viagem, na minha imaginação, por vezes é como ser levado no colo por uma poderosa mãe primordial.
Nem sempre é fácil caminhar na beleza. Às vezes requer um esforço descomunal, mas eu amo o que faço. Na tradição do Santo Daime, chama-se a isso de “a batalha”. Dizemos que bebemos Daime para trabalhar com força e vigor. O desafio é permanecermos humildes e mantermos um equilíbrio confortável entre desejo e conformação. Como diz o grande hino do Padrinho Sebastião: “Eu não sou Deus, mas tenho uma esperança”.
Ás vezes, é como tentar alcançar as estrelas... e por que não tentar?
Na Fortaleza, nossa história não está tão relacionada a aventuras espirituais exóticas no coração da mata. Ela trata de como a como a população comum de origem acreana e os recém-chegados de lugares distantes vêm trabalhando para expandir a Doutrina viva do Santo Daime, ao realizarem várias cerimônias, receberem visitantes e construírem uma comunidade. Aqui, os ensinos espirituais se desdobram em um contexto realista, em que as pessoas têm empregos e sustentam famílias com as mesmas aspirações encontradas normalmente. Elas também esperam chegar a uma vida mais saudável, feliz e equilibrada, em harmonia com a natureza.
Felizmente, somos abençoados por trabalhar em conjunto com esses amorosos exemplos:
Mestre Conselheiro Luiz Mendes
Madrinha Rizelda
Saturnino e Luzirene
E, especialmente durante os festivais, um grupo de amigos e agregados.
A época do Festival no Santo Daime é bastante especial. Os trabalhos são intensos, sérios e extremamente disciplinados. E também há momentos únicos de beleza espontânea, brincadeiras e alegria. Foi quase tudo registrado por nós, ao longo do tempo.
Estamos agora planejando o próximo Encontro para o Novo Horizonte (dezembro a janeiro de 2010), que será o maior festival jamais ocorrido na Fortaleza. Nele honraremos, principalmente, o 70º aniversário do Mestre Conselheiro Luiz Mendes. Serão 10 dias de trabalhos espirituais seguidos de vários dias extras de feitio, ritual em que se faz o Daime.
Eu realmente não compreendo como é que temos uma agenda tão cheia, trabalhamos fisicamente de forma intensa ao mesmo tempo em que limpamos nossa consciência E AINDA conseguimos nos divertir tanto. Para mim, é um mistério.
Como diz o hino do Padrinho Alfredo:
O Mestre é o de Nazaré
E o Mistério é da Amazônia
Sim: purificação, amor, alegria, trabalho, companheirismo, brincadeiras, honestidade e muito mais confluem nos rituais e na vida da Fortaleza. Há seriedade E uma incrível doçura...
Flor das águas
da onde vens, para onde vais
Vou fazer minha limpeza
No coração está meu Pai
A morada do meu Pai
É no coração do mundo
Aonde existe todo amor
E tem um segredo profundo
Este segredo profundo
Está em toda humanidade
Se todos se conhecerem
Aqui dentro da verdade
O caminho interior é pessoal e único de cada indivíduo. Cada pessoa deve encontrar o seu (essa é uma das razões pelas quais não se convidam pessoas para o Daime). É claro: a verdade e a luz podem ser encontradas em todos os lugares, mas eu sempre amei a floresta, e foi nela onde sempre busquei. Abaixo está uma foto que tirei por volta de cinco anos atrás, no Oregon; ela mostra uma peça de altar no parapeito da janela do meu chalé na floresta. Naquela época, antes de me mudar para o Brasil, eu ainda ficava pensando em como seria aqui.
Uma imagem vale por mil palavras, mas mesmo assim não chega perto da realidade. Tudo o que posso dizer, pessoalmente, é que sou grato por toda a luz na floresta. Sou grato por poder contar essa história. Sou grato por estar aqui com essa maravilhosa família e tantos amigos.
Eu recebi o que pedi.
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Friday, July 31, 2009
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Lou Gold
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Wednesday, June 17, 2009
SANTO ANTÔNIO NO CÉU DO PLANALTO
(Traduzido por Marcello Pedroso)
Sábado passado, 13 de Junho, aconteceu o tradicional dia da festa de celebração de Santo Antônio, o tão amado patrono e protetor das crianças e da família. Foi também o primeiro de três dias de festas de Junho, que inclui o São João no dia 23 e o São Pedro no dia 28. Coletivamente, estes dias são chamados de Festivais de Junho e incluem uma rica cultura popular de comida, música, costumes, rituais (tanto seculares quanto espirituais), e mais. E, como pode se ver abaixo, o Céu do Planalto em Brasília estava todo vestido com coloridas e mágicas decorações .
Abrindo o Festival de Junho do Santo Daime, a celebração de Santo Antônio envolve uma noite inteira de cantoria e dança do hinário do Padrinho Sebastião, e mais. Totalizando em torno de 200 hinos, o ritual estendeu-se das 9 da noite até a manhã do dia seguinte.
Realmente não há como descrever ou documentar uma cerimônia como esta em palavras, então aqui está uma seqüencia de videos feita ao longo de toda a noite
Com o amanhecer do sol inundando o salão, o último hino de Lúcio Mortimer (recebido logo antes de sua passagem) foi cantado com imensa alegria. Ele conta da Iluminação do Lucio e seu grande amor pelo Padrinho Sebastião.
Nenhum trabalho está completo sem um aniversário. Aqui está o Lucas

Estes dois últimos meses, durante os quais estive aqui no Céu do Planalto - minha "casa fora de casa" -, têm sido um tempo de feliz reunião para mim. Tantos amigos e amadas pessoas estão aqui. E que linda nova igreja ! Tanta coisa para estar agradecido ! Como retorno em breve para o Acre para o restante do Festival, eu já estou sentido saudades. Eu dou vivas à toda a comunidade e um PARABÉNS especial à Gabriela e Marcelo, que irão casar-se na cerimônia de São João.
Eu amo todos vocês !
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Lou Gold
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Monday, March 30, 2009
CAMINHAR NA BELEZA
(Traduzido por Ana Spinelli)
Tenho estado um tanto deprimido, ultimamente. Acredite: é realmente possível sentir-se estranho no paraíso. E me refiro a uma estranheza real, daquele tipo que deixa a gente fazendo caretas.
Deve ter a ver com fato de que ando pensando demais - o que é verdade, mas isso parece ser parte da minha natureza. Será que é por causa da opinião que eu tenho sobre o desenrolar dos fatos?
As coisas estão no seguinte pé:
Aqueles de vocês que me conhecem, sabem da minha trajetória como o tipo de cara que defende a floresta e é contra o materialismo. Estou morando em um dos lugares mais especiais do mundo enquanto ele entra em uma nova era de desenvolvimento material. É um desenvolvimento legítimo e merecido, mas que provavelmente terá enorme impacto na natureza. Como sair da pobreza, alcançar níveis razoáveis de conforto e também salvar a floresta? De certa forma, abracei a causa de forma pessoal; como dizem meus amigos índios, minha "cesta está cheia de pedras pesadas".
Primeiro, deixem-me descrever o cenário...
Esta região da Amazônia é conhecida por cientistas através da sigla MAP porque é composta das seguintes unidades políticas: Madre de Dios (no Peru), Acre (no Brasil) e Pando (na Bolívia).
A região geral é um dos maiores centros de biodiversidade no mundo e, espantosamente, é onde estão algumas das últimas tribos de povos indígenas que nunca entraram em contato direto com a sociedade moderna. E tudo isso ainda permanece ali porque não há pontes atravessando os grandes rios, de forma que estradas vindas de vários lugares terminam por lá. Fim da estrada, fim do mundo (do mundo do comércio, pelo menos). A menos que você seja traficante de cocaína, não há comércio significativo através das fronteiras. Essa região "selvagem" tem sido habitada por "tribos isoladas", seringueiros solitários e uns renegados.
É também o lugar em que Raimundo Irineu Serra e Chico Mendes descobriram e elaboraram suas missões espiritual e ambiental, respectivamente. Por coincidência, esses dois acreanos famosos nasceram na mesma data: 15 de dezembro. Hoje em dia, o Acre não pode mais ser considerado "fim do mundo", e as histórias desses dois homens são parte da grande difusão cultural que vem se desdobrando a partir da região. A revista Rolling Stone Brasil por exemplo, publicou recentemente uma matéria sobre a minúscula Fortaleza. .
Hoje em dia tudo parece ter sido tomado pela epidemia do desenvolvimento. Uma nova ponte foi inaugurada perto de Assissi, próxima ao ponto em que convergem Peru, Bolívia e Brasil. Quando a estrada que cruza o Peru for terminada, formará a primeira rota intercontinental de comércio. É fácil perceber as mudanças, conforme surgem os sinais de globalização em modernização. Mesmo para alguém que visita a região pela primeira vez, a impressão de “algo novo” prevalece. Formigam o comércio e os empreendimentos. E me pergunto: qual será o impacto disso na floresta?
Meu primeiro encontro com a floresta Amazônica foi há alguns anos atrás quando visitei a comunidade de Santo Daime do Mapiá (que fica no rio Amazonas, mas o acesso é feito pelo Acre). Cheguei ali maravilhado e exausto; maravilhado porque aquela era minha primeira visita à Amazônia, e exausto porque nas duas semanas anteriores eu havia viajado dos EUA para Brasília e depois até o sudeste do Brasil para participar de uma intensa cerimônia de quatro dias, seguida imediatamente de mais quatro dias de uma viagem até o Mapiá que incluiu ônibus, avião, táxi e barco. A jornada através do Acre foi a primeira vez em que pude testemunhar a incrível destruição infligida na floresta no passado da região. Me lembro da sensação estranha de estar ao mesmo tempo agradecido por estar lá e também incrivelmente triste. Aquilo me confundia.
Há uma história paralela, nesse ponto:
Na minha primeira manhã no Mapiá, acordei ao raiar do sol, tomei café com todo mundo e rumei para a floresta para coletar folhas de Rainha para a preparação do sacramento Daime. Trabalhei por apenas 20 minutos sob o sol já quente da manhã quando repentinamente comecei a passar mal e vomitar. Era como se todo o estresse dos dias anteriores estivesse sendo expulso de mim. Meus amigos me ajudaram a voltar para a casa onde estávamos ficando e me deitaram em uma rede, de onde eu levantava só para vomitar. Era impossível manter no estômago qualquer coisa – comida ou água –, e foi assim até o dia seguinte.
Quando eu já dava sinais de séria desidratação, meus amigos chamaram Francisca Corrente, uma magnífica curandeira mapiense. Ela chegou e me deu para beber um pouco de Daime, que imediatamente vomitei, claro. Então ela me pediu para respirar puxando o ar bem devagar e começou a cantar suavemente um de seus lindos hinos, aquele que fala da borboleta azul – a espetacular Morpho Azul que habita as florestas tropicais. Ela repetiu o hino várias vezes por o que me pareceu ser um longo tempo. Aos poucos senti a calma retornando e alcançando fundo o meu corpo.
Quando fiquei tranquilo, ela começou a falar comigo através de um tradutor. Disse que eu estava muito aberto e que havia agora muitos “seres da escuridão me seguindo e tentando causar confusão”. Ela disse que eu iria percebê-los na forma de “pensamentos difíceis”. E continuou, dizendo que havia “cantado o hino para dentro do meu corpo”, fazendo-o deslizar para o meu interior a cada respiração profunda; agora ele estaria sempre lá, como um guia. “Quando você se sentir confuso”, ela disse, “procure a borboleta azul e siga-a. Ela voa pelo caminho certo, o caminho de Juramidam”.
Na noite seguinte compareci à minha primeira sessão de Santo Daime no Mapiá, onde tomei um Daime bem forte. Sentei-me, fechei os olhos e tive uma visão que chegou quase que imediatamente. Era uma linda borboleta azul. Eu a observava e me fascinava com o movimento de suas asas que pareciam seguir um padrão especial: batiam três vezes e então a borboleta entrava na floresta. Ela estava seguindo a batida dos maracás que estabeleciam o ritmo do hinos sendo cantados na cerimônia. Sim: ela estava seguindo o caminho de Juramidam.
Hoje me sinto, de certa forma, similarmente aberto e até hipersensível sob o impacto do poder de limpeza do Daime forte aqui da Fortaleza e de suas cerimônias poderosas. E frequentemente me sinto vulnerável, boquiaberto e completamente confuso. É difícil “saber onde eu estou”.
Por exemplo: aqui estou, sentado ao compuador,
em algum lugar perto de lugar algum, digitando um artigo para um público mundialmente disperso e distante da floresta amazônica. Conforme digito, observo um mundo primordial de verde, uma verdadeira vista verde; mas meus pensamentos vagueiam pelas contradições da existência moderna. Meu coração se enche de amor pelas florestas e seus povos. Minha mente está obcecada com os desafios de se alcançar uma harmonia entre os seres humanos e o mundo natural. Acostumei-me a conversar sobre essas coisas pela Internet; mas estou agora na zona Inter-Not-Yet [trocadilho em inglês que significaria algo como: “Inter-Não-Ainda”, ou seja, a Internet ainda não chegou na região - NT].
Então, de tempos em tempos, viajo para Rio Branco para passar um tempo online na biblioteca pública da cidade, um prédio equipado com ar-condicionado e tecnologia digital de ponta (claramente resultado do desenvolvimento e da modernização econômicos).

Ao navegar pela Internet, leio que o presidente Lula anunciou um “pacote de incentivos econômicos”para o desenvolvimento de infra-estrutura (mega-estradas e projetos de hidrelétricas) no interior (ou seja: Amazônia e Cerrado) na expectativa de barrar os efeitos negativos da crise econômica mundial. Em outra reportagem, leio que a EMBRAPA (mundialmente reconhecido instituto brasileiro de pesquisas em agricultura tropical) está lançando um programa de emergência para desenvolver novas variedades resistentes à seca, como preparação para as possíveis consequencias do aquecimento global. Em outro lugar, leio que não dá para esperar ações significativas por parte do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) porque seu orçamento é de menos de 200 milhões de reais, enquanto o do Ministério da Agricultura chega a 22 bilhões. Minha amiga Kelpie me manda um link para um relatório dizendo que grande parte da floresta amazônica pode vir a desaparecer nas próximas décadas por causa da mudança climática. Em um fórum online, debato com ela se o incentivo ao poder de decisão feminino e a diminuição dos índices de crescimento populacionais poderiam diminuir drasticamente o impacto ecológico humano no planeta?
Nenhuma das alternativas acima me parece grande coisa.
Então volto para a Fortaleza, onde até mesmo minha localização física agora parece uma metáfora para o enorme desafio que são o desenvolvimento e a sustentabilidade. De certa forma, a casinha que estou construindo está simbolicamente situada em meio à contradição.
De um lado está a “Fortaleza central” com as áreas de convivência e centro de visitantes
e também sua “zona industrial”, com fogão a lenha, garagem, um novo reservatório de água e “chuveiros públicos”
Do outro lado, a vista da janela acima do meu computador mostra a “zona de agricultura” com plantações mistas de banana, milho, abóbora, arroz, mandioca, etc.
A vista termina em um horizonte criado por uma grande parede de floresta, uma fronteira.
Mas hoje em dia a fronteira florestal vem encolhendo de forma alarmante no mundo todo. Claro: não há desmatamento na Fortaleza, mas é impossível para mim estar aqui sem pensar no impacto devastador que os seres humanos vêm tendo sobre o planeta e suas florestas. O consumo exacerbado do pós-Segunda Guerra e a sanha do mundo industrial por combustíveis fósseis não têm paralelo em toda a história da humanidade. As estatísticas mundiais são assustadoras. Metade de todas as florestas primárias do planeta foi desmatada desde 1950. E hoje o desenvolvimento econômico e a modernização vêm trazendo o poder de compra a populações que antes eram pobres demais para consumir.
NÃO, aqui nós não exploramos a terra e nossas melhorias materiais são em escala muito reduzida. Mas quando eu as multiplico pelas milhões de pessoas que vêm entrando no novo ciclo de desenvolvimento material mundial, posso dizer que não é algo muito animador para a Terra e para as matas. De fato: às vezes me sinto como se estivesse no coração espiritual do mundo e na barriga do monstro, sendo o monstro a nossa natureza humana coletiva que não pára de se expandir e consumir e desperdiçar.
Como eu disse, somos bastante pequenos, aqui. A eletricidade chegou há dois anos e temos agora umas geladeiras novas, itens elétricos de cozinha, TVs e, é claro, meu computador. E todos comemos carne: uma variedade brasileira de carne vinda de gado criado solto no pasto, alimentado com grama e sem muitos aditivos químicos, o que é melhor para a saúde e não tão bom para a floresta (o Greenpeace publicou recentemente um estudo mostrando que 80% das terras desmatadas na Amazônia nos últimos 20 anos são hoje usadas para criação de gado e produção de carne.) E, sim, minha casa é feita de madeira. Há vários exemplos que eu poderia dar, mas, no fim das contas, a verdade é que ninguém aqui vive naquele nível ecológico de consumo e ativismo dos meus amigos lá do Oregon: um modo de vida politicamente correto do tipo “salve a floresta”, com consciência ambiental e estilo natural e orgânico segundo o qual a simplicidade é bela. Não chega nem perto disso.
Mas me preocupo seriamente sobre o caminho por que estamos sendo todos levados pelas forças coletivas do desenvolvimento econômico e material. Por isso, disparou algo dentro de mim quando Saturnino disse:
“Lou, gostaria que você documentasse as coisas que estamos construindo e todo o desenvolvimento que estamos trazendo. É importante que as pessoas entendam quanto trabalho dá criar um espaço físico que possa receber visitantes e oferecer cerimônias espirituais. As pessoas quase nunca entendem que há muito mais questões envolvidas do que apenas fazer e servir Daime e conduzir sessões espirituais”.


Mas temo que as palavras dele tenham cutucado os meus medos. É claro que foi um pedido perfeitamente apropriado e razoável, mas desencadeou uma rebelião dentro de mim. Eu pensava algo como: “Opa... Eu sou uma voz para a floresta, uma voz de certa forma até um pouco espiritual. Não sei como ser uma voz para o desenvolvimento material. Não sou esse tipo de narrador. Como é que fui arrumar essa função? Sou muito mais ajudar a desenvolver programas de educação ambiental ou trabalhar e algum projeto inovador sobre sustentabilidade”.
Então Saturnino me mostrava o solo arado recentemente perto da plantação de abacaxi
ou o chão limpo de vegetação no jardim de Rainhas, ou o enorme gramado da área de convivência, e dizia: “Não é lindo?”, e eu pensava: “Opa... Gramados não são lindos. São uma guerra contra a natureza. É só ver a quantidade de tempo, combustível e trabalho despendidos para mantê-los”. Mas depois eu percebia que havia uma razão para os gramados.
Esse mato tropical é alto
e abriga várias criaturas. Pode haver de tudo morando ali...
Crianças brincam e pessoas acampam nessas áreas, e muitos passam um bom tempo coletando folhas no jardim de Rainhas. Tornar essas áreas humanamente acessíveis, seguras e atraentes também é lindo. Isso é certamente verdade, mas o narrador em mim não estava nem um pouco inspirado. Como poderia eu, um dos pioneiros do idealismo ecológico, contar essa história? Era mais um dilema.
Na verdade essas tensões vêm aumentando desde que cheguei no Brasil e parecem ter chegado ao ápice quando comecei meus “desenvolvimentos” na Fortaleza. Mas tem sido difícil para mim a inspiração. Não tenho publicado fotos novas na internet, e isso me faz sentir meio mal com relação ao meu desempenho como “fotógrafo oficial da Fortaleza”. Cheguei até a pensar se eu deveria mesmo estar aqui. Estava desencorajado e começando a não ver mais saída para a situação.
No último sábado fiz o que normalmente faço quando estou triste: saí em uma longa caminhada. Afastei-me e rumei para a estrada de terra que liga com a rodovia principal.
E vi a solitária castanheira.
É prática comum deixar as castanheiras em pé durante o desflorestamento, e elas acabam se tornando monumento ao passado, seus enormes galhos projetando-se acima do que já foi a copa de uma densa floresta – uma floresta que foi ao chão.
Por alguma razão pensei no último verso do hino final do Mestre Irineu:
Meu corpo na terra fria
Desprezado no relento
Alguém fala em meu nome
Alguma vez em pensamento
Quando eu morava nos Estados Unidos, fui uma dessas vozes, que falavam não pelo movimento do Santo Daime, mas pelo movimento em prol da floresta. De fato, ainda anseio por ter esse tipo de voz. Me senti muito triste.
Caminhei por um bom tempo e não retornei à Fortaleza até o entardecer. Quando cheguei, as pessoas disseram: “Vamos, Lou. Todo mundo está se reunindo na casa do Padrinho. Nós vamos cantar as orações”. Bem, eu simplesmente não estava afim. Estava com calor, suando e precisava de um banho, e realmente não queria estar com pessoas. Só queria entrar debaixo do chuveiro e ficar quieto em casa, e foi o que eu fiz. Mas os pensamentos vieram com tudo e fui fazer o que normalmente faço quando quero escapar: me afogo em trabalho. Para mim, isso significa sentar no computador e processar fotos. Quando o primeiro grupo ficou pronto, decidi me divertir um pouco fazendo arte no Photoshop. Apesar da presença de visitantes e parentes de fora na comunidade, fiquei sozinho naquela noite.
E os pensamentos não paravam. Pensei: “Caramba. Finalmente volto para casa para ficar com minha família e descubro que não consigo falar com ninguém. A barreira da linguagem é enorme, e todo mundo está sempre tão ocupado trabalhando que provavelmente ninguém teria tempo ou vontade de sentar-se com um velho aposentado e ‘apreciar a natureza’ como se estivesse em um banco de parque enquanto discute ‘os insuperáveis problemas do mundo moderno’”. Me senti muito sozinho. “Talvez fosse diferente se eu simplesmente tivesse um amigo com quem pudesse passar o tempo”, pensei.
No dia seguinte recebi a visita do Edson Alexandre. Ele me parece uma pessoa cheia de amor e luz. Sempre me sinto honrado quando ele vem me visitar. Seu papel na comunidade espiritual é importante e ele traz regularmente hinos maravilhosos à Doutrina em expansão do Santo Daime. Por exemplo: no vídeo abaixo, ele está apresentando um novo hino. Chama-se “Luz, luz, luz”.
O Edson não fala inglês, então não pudemos conversar muito, mas eu sei que ele adora ouvir música. Botei para tocar alguns MP3 armazenados no computador e gravei um CD com os álbuns de que ele mais gostou. Realmente adoro observar a forma como ele se senta por longos períodos na minha varanda aproveitando a vista para a floresta. Sem muitas palavras, não deixa de ser um fantástico compartilhamento. Eu me senti menos solitário. Talvez as coisas não fossem tão ruins quanto eu pensava.
No dia seguinte recebi a visita de Polidoro, de 9 anos de idade. Ele adora a natureza e sempre traz seus passarinhos de estimação para o caso de eu querer fazer um videoclipe. Ele tem verdadeira fascinação com o computador. Em seu comportamento calmo, mas intensamente atento, postou-se em silêncio atrás de mim para ver em que eu estava trabalhando. Eu ainda não tinha terminado de melhorar a imagem da noite anterior, e aplicava alguns filtros de Photoshop.
Perguntei para ele: “Você gosta?”, e ele fez um forte SIM! com a cabeça. Então olhei pela janela e falei: “Mas eu acho a natureza muito melhor, o que você acha?”
Um sorriso despontou em seu rosto moreno e meio sujo, e seus olhos eram dois pontos de luz.
Então outra memória atravessou a minha mente… Alguns anos atrás, meses depois que a filha mais nova do Murilo nasceu, perguntei: “Como é ser um pai trazendo ao mundo uma criança em tempos tão difíceis?” Ele pensou por uns instantes e então disse quietamente, quase num murmúrio: “Lou, as crianças são a nossa esperança”.
Voltei ao presente e perguntei a Polidoro se ele gostaria de explorar a natureza comigo, e acrescentei: “Talvez eu possa ensinar um pouco de inglês para você e você poderia ser meu professor de português. O que você acha?” Ele deu outro de seus fantásticos sorrisos e estendeu sua mão para apertar a minha. Acho que encontrei meu amigo.
O Padrinho Luiz adora dizer, rindo, que “a simplicidade é o caminho da tranquilidade emocional”
e o lema deste centro espiritual diz que: “A Humildade é o Símbolo da Nobreza”.
Mesmo assim, aqui estava eu ainda me perguntando como ser humilde e simples. Minha voz interior respondeu: “Você poderia se juntar à raça humana e admitir que realmente não sabe nenhuma das respostas para os grandes dilemas do desenvolvimento sustentável. Talvez compartilhar as fotos que tira das belezas que você descobre na natureza e no ambiente humano criado em torno de si seja tudo o que pode fazer agora”.
Sem dúvida parecia a coisa certa. Voltei de meus pensamentos e olhei para fora a tempo de ver uma borboleta azul passar voando pelo meu pequeno “quarto com vista”.
Abaixo está a outra janela com vista digital, uma sequencia de fotos das belezas da Fortaleza – tanto as naturais quanto as criadas pelas mãos humanas.
Então como harmonizar as pessoas e a floresta? O que é mais importante: natureza ou cultura? Essas questões polarizadoras agora me parecem fonte de grande parte da minha confusão mental. A simples verdade é que a natureza é a própria base de nossa existência, e a cultura cria as escolhas de como conviver com a natureza. A verdade emergente e desafiadora é que, nesses tempos atuais de crise ecológica, a cultura e a natureza irão levantar-se ou cair juntas. Assim como as pessoas e criaturas! Tenho esperanças de que a Fortaleza seja um desses lugares em que podemos aprender um pouco sobre como nutrir uma saudável reconexão – com o espírito, com a cultura, com a natureza e uns com os outros.
********
É verdade que é preciso uma quantidade considerável de trabalho para criar, manter e continuar expandindo a Fortaleza. Muito já foi alcançado, muito há que ser feito. É sempre um aperfeiçoamento, um trabalho de amor. Talvez você gostaria de vir fazer uma visita e sentar na minha varanda. O que continuo percebendo é que o verdadeiro trabalho que nunca termina é o de seguir o próprio coração. É isso que estou aprendendo a fazer.
********
Eu estava aqui sentado junto ao computador e à paisagem, dando os toques finais neste texto, enquanto ouvia o lindo hinário de Rosana Cristiane Pereira. Assim que começou o hino “Eu chamo Juramidam”, uma borboleta Morpho Azul passou voando (sem brincadeira!). Acho que é isso que significa “viver na Doutrina”. Meu amigo Jonathan sugeriu que é disso que os índios norte-americanos querem dizer quando falam em “Caminhar na Beleza”. Não sei. Palavras são inadequadas. Estar aqui é melhor.
[CORREÇÃO: Conforme eu reconstruía o dia da foto de Polidoro, percebi que o rosto dele não é assim tão queimado de sol. Por volta de uma hora antes ele estivera brincando no mato alto e havia mexido em uma colméia. Levou nove picadas, incluindo uma no rosto. Mesmo assim ele sorria para a câmera e achava que a natureza era "melhor". Que cara fantástico!
A foto acima mostra as costas dele.]
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Lou Gold
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Friday, January 30, 2009
CHICO MENDES, CAPIXABA E A MUNDANÇA
(Traduzido por Marco Aurelio Chibiaque)
Esta semana comemoramos a vida e morte de Chico Mendes, que nasceu em 15 de dezembro de 1944 e foi assassinado em 22 de dezembro de 1988. 
Monumento a Chico Mendes em Rio Branco
O seu assassinato ocorreu no Estado do Acre chamando a atenção de todo o mundo e o livro de Andrew Revkin, "A Estação de Fogo", divulgou a estória.
Dois anos atras, a estoria de Chico Mendes foi consagrada como uma lenda nacional pela minissérie de 55 capítulos chamada "Amazonia:de Galvez a Chico Mendes", a qual eu tive a oportunidade de assistir junto à uma comunidade do Santo Daime em Capixaba, próxima à cidade onde Chico Mendes viveu, Xapuri.
Antes de sua morte, Chico organizou os seringueiros em uma frente popular chamada "Movimento Povo da Floresta" que teve sucesso e alcançou organizações internacionais, iniciando assim o longo processo que mudou para sempre as políticas ambientais do Brasil.
Hoje, Chico Mendes não é só lembrado pelos monumentos, parques municipais, nomes de ruas, placas e camisetas. Talvez o grande legado seja o movimento de sustentabilidade nas políticas ambientais e o planejamento de uma larga região que se formou em reservas extrativistas, parques nacionais, áreas indígenas e zonas de multi-uso.
Durante o primeiro mandato de Lula, Marina Silva, conhecida internacionalmente por ser seguidora de Chico Mendes, foi a Ministra do Meio Ambiente. Politicas inovadoras foram implantadas e hoje o Brazil possui uma das mais ambiciosas legislações ambientais do mundo. Mas o mapa não é o território. Nos problemas maiores como usinas hidreletricas e rodovias, o idealismo tem se esbarrado nas forças do desenvolvimento and, nas questões menos relevantes de implementacao de objetivos ecologicos administração agrária, as políticais locais normalmente introduzem "ajustes".
Eu tive a minha primeira previsão de como as coisas se encaminharão quando visitei a Expo Acre e testemunhei a "Country America" no Brasil.
É um mundo muito diferente daquele de Chico Mendes. Mangabeira Unger - Ministro do planejamento estrategico e coordenador do desenvolvimento na amazonia - afirma que a questão não é se a amazonia se desenvolverá, mas se ocorrerá em ordem ou em caos. O presidente Lula esclarece em linguagem simples: "As 20 milhões de pessoas da amazonia querem TVs e geladeiras também. E o novo ministro do meio ambiente Carlos Minc aponta que é muito mais fácil fechar uma serraria ilegal do que repor os empregos que ela criava.
Em um mundo faminto por comida e biocombustivel, o Brazil é destinado a ser um dos maiores fornecedores de energia biológica. Existe vasta área que pode ser convertida em produção agrícola e uma infraestrutura nacional está sendo construída para entregar produtos do interior para mercado global. A grande questão é se as novas plantações e pastagens causarão mais desmatamento ou se podem ser baseados na renovação de terras já devastadas. Infelizmente, queimadas e desmatamento têm crescido a níveis perigosos.
O Brasil tem uma meta nacional de alcançar sustentabilidade e reduzir a devastação em 70% nos proximos 10 anos, o que é visto com muito ceticismo. O Acre será um ótimo laboratório, onde veremos se a noção de sustentabilidade é verdadeira ou fantasiosa. O desenvolvimento sustentável é realidade ou falácia ambientalista?
Qual a minha visão sobre este pequeno lugar chamado Capixaba? Eu sou apenas um visitante recente e não sou especialista em sustentabilidade, ou na amazonia. Eu não posso agarrar as forças que movem o seculo 21 mas eu as sinto pelo chão. Minha visão é apenas superficial, não possuo informações técnicas. Entretanto, mudança, contraste e contradição estão em toda a Capixaba.
Belas paisagens
E areas de devastacao
E grande espaco aberto
Bois de carga
E gado para abate
A principal rodovia se conecta agora com o Peru, atraves de uma ponte nova, criando a primeira rota transcontinental do Rio de Janeiro, Brasil, para Lima, no Peru.
Agora passam por aqui comboios de Land Rovers fazendo as primeiras "expedicoes" mesmo antes da completa pavimentacao
Agencias promovem turismo pela rodovia do pacifico.
Novos hoteis e camionetes 4x4
A pequena Capixaba esta se transformando com seu novo projeto urbanistico, incluindo uma avenida com canteiro.
primeiras calcadas
Primeiro shopping center
A principal industria da cidade - uma serralheria e fabrica de carvao - e responsavel por grande parte do desmatamento. Ouvi dizer que a extracao é legal e o produto final e para exportacao, em sua maioria.
Muitas carretas de graos levados para processamento.
Proximo a Capixaba esta localizada a primeira usina de etanol da regiao
E quilometros de novas lavouras de cana de acucar para alimenta-la
Longe das cidades e fazendas, ao redor da rodovia nova, existe agora uma mistura de floresta fragmentada e pequenas areas que foram adquiridas por pessoas que se instalaram na area, seguindo a primeira grande onda de desmatamento e conversao para terra produtiva.
O governo brasileiro tem incentivado a ocupacao do interior desde a segunda metade do seculo passado, normalmente com o slogan: "terra sem gente para gente sem terra". As divisoes sao chamadas de colonias e os moradores de colonistas. Estes pequenos produtores talvez sejam agora a chave para um futuro de recuperacao e sustentabilidade.
Eu tenho vivido numa colonia como estas, chamada Fortaleza - uma pequena area familiar formada por um centro espiritual onde o pessoal esta muito preocupado com a melhora da terra.
viajando em uma grande canoa construida de apenas uma arvore
restaurando uma antiga casa de seringueiros que e mantida aqui como monumento para o povo da floresta, do passado e do presente.

Recentemente, a EMBRAPA - primeiro nucleo de pesquisa e extencao agricola do governo - organizou um dia inteiro de palestras sobre ecologia e reflorestamento para os proprietarios de terra
Foi uma aula de sustentabilidade, mostrando como a terra pode ser usada para varios propositos integrando agroflorestamento, pequenas criacoes de animais, restauracao ciliar e recuperacao da terra atravez de planejamento.
O segredo deste planejamento e cercar a area de reserva, separando-a da area util. Infelizmente, no final das palestras, quando perguntaram como seria pago o material para cercamento, houve apenas a oferta de emprestimo a juros baixos. Os colonos resmungaram e sairam para tomar cafe com biscoito.
Estes pequenos proprietarios, que possuem verdadeira ligação e amor pela terra, desejam vida melhor para a natureza e para as pessoas. Eles fazem tudo o que podem com recursos limitados. E, sim, eles tambem querem televisao e geladeira.
Iluminacao rural chegou na area a apenas 2 anos.
e agora a maioria dos casebres tem antena parabolica e medidores de luz.
E, considerando estradas rurais como estas
e facil de entender o desejo por veiculos 4x4
Semana passada, durante um dia sufocante de calor e umidade tropical, um amigo me perguntou o que eu escrevia. Eu respondi "Chico Mendes, desmatamento, energia e mudanca climatica. Ela respondeu, "sim, esta esquentando cada vez mais. Ar condicionado esta se tornando essencial no Acre". Com o rosto suado, respondi, "eu entendo".
No, eu nao acredito que quero ar condicionado e tenho um pouco de interesse por televisao, mas depois de sofrer na estrada de lama para pegar uma carona num caminhao e levar 14 para ficar 4 numa lan house em capixaba, eu quero muito ter conexao com a internet em casa. Todos tem necessidades. Me perguntou como podem ser resolvidas?
Minha experiencia vem de Oregon, Estados Unidos, onde todos possuem essas facilidades - e ainda mais! É um modelo para o Acre.
Pecas para motoserra em Capixaba, Acre.
La no Oregon, sofremos duramente para salvar a floresta. Tivemos pequenas vitorias - pequeninas atitudes de preservacao e alguma melhoria nos habitos. Mas, mesmo com menos de 10% da floresta original, a serraria local esta cortando arvores adultas. E obvia a forma como as necessidades locais foram alcancadas.
Porque nao seria igual no Acre? Porque o Brazil nao seguiria a maneira americana de alcancar prosperidade atraves da extracao dos recursos da natureza? Se aqui deve ser diferente, onde ainda existe tanto para se preservar, como será pago o preço da preservação?
Muito tempo atras, o ecologista americano e fundador da fundacao Wilderness, Aldo Leopold disse, "abusamos da terra porque olhamos como popriedade que nos pertence. Quando vermos a terra como pertencente a nossa comunidade, poderemos iniciar o uso com amor e respeito.
Hoje o crescimento demografico, pico de energia, mudanca de clima e outros nos forcam para uma atencao especial para novas maneiras de pensar. A agricultura e o reflorestamento fornecem meios para preservacao das pessoas e da natureza?
Existem agora discussoes acirradas de como o mercado do carbono podera fornecer fundos para florestas que nao sao devastadas e nos solos atraves da biochar. De fato, possivelmente o credito carbono se tornara um dos produtos mais preciosos no comercio mundial.
Mas o comercio e esperto, favorecendo a vitoria dos grandes jogadores sobre os pequenos, como demonstrado em eventos recentes, onde os mercados sao tao suscetiveis a fraude e manipulacao. Eles poderiam ser manipulados para darem terra aos indios, pequenas familias, e as pessoas que levam uma vida simples sendo estes fundamentais na preservacao da terra.
Existem ainda muitas dessas pessoas no nosso planeta tao urbanizado, que sao os curadores mais proximos da terra. Eles adorariam ser pagos para fornecer os servicos que sao demandados por todos. De fato, estas pessoas da terra e da floresta - as pessoas com a visao de Chico Mendes - podem ser a chave para a sobrevivencia geral.
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Lou Gold
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Saturday, November 1, 2008
O VINHO DAS ALMAS
Um novo filme do Santo Daime por Michael Ende e editado por Luis Eduardo Pomar
Recém lançado!
Depois de quatro anos de produção e algumas reedições, o documentário "O Vinho das Almas, Uma Peregrinação ao Coração do Santo Daime, na Floresta Amazônica" acompanha seis estrangeiros em suas andanças em busca de cura, auto-conhecimento e experiências místicas. Eles fazem uma peregrinação descendo o Rio Juruá em direção a região aonde o líder do Santo Daime, Alfredo Gregório de Melo viveu a sua infância e estabeleceu uma comunidade no meio da floresta.
Câmera Viva, 2008 - 57 minutos.
Um filme de Michael Ende, editado por Luis Eduardo Pomar e consultoria de Bia Labate.
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Lou Gold
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3:57 AM
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Wednesday, October 22, 2008
PARTILHANDO A DOUTRINA MUSICAL
UM PRESENTE ESPECIAL DA FAMÍLIA GRANJEIRO
(Traduzido por Daniel Duende, coordenador do Global Voices em Português)
Antônio Gomez: "Meu Divino Pai Eterno"
No domingo passado a comunidade do Santo Daime de Brasília foi agraciada pela visita da Madrinha Adália Gomes Grangeiro, seus filhos e filha, e sua comitiva, para cantar "O Amor Divino", o hinário de Antônio Gomes, que foi um dos companheiros espirituais do Mestre Irineu. Madrinha Adália é a zeladora deste belo hinário.
Antônio Gomez: "Este Rei Que Aqui Está"
Eu escreví previamente sobre a doutrina musical da religião do Santo Daime, que é baseada no canto de "hinos recebidos", em vez de um texto escrito que esteja codificado e congelado em um livro. Os cantores e os musicistas de uma família são como uma escola em movimento, e são recebidos com alegria e gratidão por onde passam. Há aproximadamente um mês, quando a família Granjeiro estava apenas começando a sua viagem pelo Brasil, ele fizeram uma pssagem por Brasília, no Ser Divino, para apresentar o hinário de Francisco Granjeiro Filho, que era o neto de Antônio Gomez.
Francisco Granjeiro Filho: "O Jagube Está Aí"
Após a sessão espiritual, alguns membros da família nos presentearam com um pouco do tradicional forró do Nordeste Brasileiro, a região de nascimento do Mestre Irineu. Ao ouví-los, é fácil entender por quê a música dos Granjeiros é aclamada em todo o Brasil.
O interessante é que a música e o ritmo do forró tradicional são facilmente combinadas com os hinos do Santo Daime. Aqui está Guilherme Granjeiro, trazendo a mágica de seu acordeon ao canto e à dança de alguns dos hinos da Nova Jerusalém do Padrinho Sebastião, no aniversário do Padrinho Luiz Mendes em 2007.
É através desta maravilhosa mistura musical de cultura, religião e das famílias do Santo Daime que uma grande tradição se espalhou pelo Brasil e pelo mundo. Nós recebemos o presente dos Granjeiros com os corações cheios de gratidão, alegria e apreciação, e nõs estamos gratos por todas as igrejas e famílias de Juramidam.
Viva! a Família Granjeiro.
Viva! o ALTO SANTO.
Viva! a Família de Sebastião Mota de Melo.
Viva! o CEFLURIS.
Viva! a Família de Luiz Mendes.
Viva! o CEFLI.
Viva! toda a Família de Juramidam.
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Lou Gold
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6:06 PM
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Monday, August 18, 2008
Encontro do Santo Daime:
Family, Familia, aniversários e alegria no Ceu de Fatima.
(Traduzido por Marco Aurelio Chibiaque)
Na semana passada retornei a grande São Paulo para me econtrar com a família de Luiz Mendes, que estava voltando do Canada, e para comemorar o aniversario de vários irmãos do Santo Daime na igreja de Araçoiaba da Serra.
O dia 8 de agosto foi aniversario da igreja e da Madrinha Rizelda. O dia começou numa loja de flores.
Fazendo a escolha para compor a decoração festiva da igreja
O trabalho spiritual foi aberto pela Mad Fatima e pelo Pad Sidney
E Pad Luiz
Começamos executando o hinario de Joao Pereira, comandado por Saturnino, que é o zelador deste hinário.
e continuamos no interval, com as diversoes do Mestre.
Depois, cantamos o hinario de Saturnino. Este é o hino “somos todos iguais” que se tornou um simbolo de amizade.
A festa continuou depois do trabalho, com bolos e festas.

Entao houve um Forro com o Pad Luiz e Madrinha Rizelda nos mostrando como se faz.
Quando a tarde caiu o Padrinho Luiz, que é famoso na doutrina do Santo Daime como um contador de estórias, estava contando uma muito boa para Alessandra.
Aqui vai uma sequencia que nos dá uma boa noção.
Como a comitiva retornou para a Vila Fortaleza no Acre, eu fiquei na residência da Mad Fatima e do Pad Sidney continuando a minha visita com a família e também para me consultar, com o Pad Sidney e sua filha Alessandra, que são médicos, completando o meu minucioso check up as 70 anos de idade.
(Fico feliz em dizer que as coisas vão bem.)
No final da minha maravilhosa semana de visitas, houve mais uma grande festa, aniversario da Mad Fatima.
As festas se iniciaram na execucao do hinario de Antonio Gomes (o Bisavo da esposa de Saturnino, Lusirene). Este e o hino “A Rainha da Floresta.”
E entao parabens e vivas para a Madrinha
E cantando “esta e a casa de nossos festivais”
E, claro, outro bolo.
Sim, o Santo Daime é a casa de nossos festivais, sendo sempre muito bom dividir as alegrias desta família incrível. No primeiro trabalho do festival eu tirei uma fotografia de Ana Paula, que aguardava feliz.
E agora nos damos as boas vindas ao novo membro da família Juramidam. Bem Vindo Miguel! E parabéns Ana Paula, Charley e Mariana.


VIVA MIGUEL!
VIVA MIGUEL!
VIVA MIGUEL!
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Veja todas as fotos de agosto AQUI
Veja todas as fotos de Miguel AQUI
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Monday, July 28, 2008
Do Coração da Divina Luz
O verdadeiro amor
É uma grande Luz Divina
É a estrela cintilante
O farol que ilumina...
Divina Luz é ainda uma de minhas casas-longe-de-casa no Brasil. Retornar a ela é... bem, como voltar pra casa.
Eu tenho uma enorme gratidão à Madrinha Conceição e sua família que dirige o espaço eclético do Centro Livre Divina Luz em Brasília. Aqui, um verdadeiro amor é muito presente junto com a querida memória do Padrinho Daltro, que pensávamos ter perdido, mas que ainda continua em nossas mentes nos assistindo com seu amoroso coração.
Nessa noite alguns de nós se reuniram para copartilhar os hinos do Ronaldo, que carrega a magia do Mapiá e da floresta pelo mundo.
Eu juntei alguns fragmentos de vídeos...
E assim decretamos nosso próprio amor
pelo Padrinho Sebastião,
pelo Padrinho Daltro,
e pelo Mestre Irineu.
Aqui um pequeno show de slides da noite.
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10:49 AM
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Saturday, July 12, 2008
Um Festival de Santos e Santo Daime
(Traduzido por Guilherme Barellos)
Ceu do Planalto
Brasilia, Brazil
12 Junho - 6 Julho 2008
Estive em Brasília em uma maravilhosa reunião com meus amigos do Céu do Planalto, a comunidade do Santo Daime onde eu primeiro aterrisei no Brasil.
Minha primeira conexão veio vários anos atrás através de uma amiga do Oregon que me entregou na amizade e casa de José Murilo. Aqui também achei o portão para o mundo do Santo Daime no Brasil -- uma abertura que me levou a um eterno encontrar de tesouros de amigos e lares em muitos lugares, e criar este blog pra contar as histórias.
Tem sido muito especial passar o Festival deste ano entre amigos queridos em Brasília, longe do ambiente original do Santo Daime, onde um grande estudo está acontecendo no qual pessoas modernas e trabalhadoras estão aprendendo a incorporar a vida espiritual aprendida da Rainha da Floresta enquanto no centro da capital modernista e ativa da capital do maior país da América do Sul.
Os Festas de Juninas, como são conhecidas, acontecem em muitas matizes culturais em todo Brasil.
Pintura por Gervásio
Eles estão centrados nas festas dos santos: Santo Antônio (guardando o lar e a família), São João Batista (abrindo a porta da transformação), São Pedro (construindo a comunidade espiritual) e, no Santo Daime, há o dia em memória para Santo Irineu (o fundador da missão)
Uma Grande fogueira é o ponto central para a maioria das festas.
Há uma lenda interessante sobre a fogueira. Apesar de que ninguém sabe se é verdade, a estória conta que durante a gravidez de Maria com Jesus, ela aprendeu a profecia que foi recebida por Isabel, que esperava João Batista. Maria viajou até os montes sobre Nazaré para visitá-la para conversar sobre suas experiências e intuições. Isabel, com seu primeiro bebê, contou a profecia que um tempo de grandes tranformações na terra começaria com o nascimento de João e seria continuado já que tanto ele quanto Jesus abririam uma nova luz no mundo.
Isabel disse que deixaria Maria saber sobre o nascimento de João através de uma grande fogueira que seria acesa em sinal de que a transformação havia começado. Atualmente há muitas festas tradicionais no Brasil que incluem fogueiras para celebrar a eterna oportunidade para a transformação humana, especialmente durante as festas de junho.
Este ano o Festival começou com a noite de Santo Antônio e o casamento de Ken e Shobam.
Depois a comunidade ficou muito feliz em receber o Padrinho Alfredo e comitiva de cantores e músicos que voltavam do exterior e estavam en route para suas casas na floresta, centro do Santo Daime no Amazonas.

Cantar a Oração do Padrinho Sebastião com a família é sempre um presente especial.
Algumas noites depois celebramos a Noite de São João mas eu estava tão ocupado com meu próprio processo de transformção (Ufa!) que nem levantei a camêra. Desculpem, sem fotos desta noite, apenas uma nota de gratidão por ter podido clarear coisas muito velhas como resultado do ritual.
Depois veio o 83º aniversário da Madrinha Rita (viúva do Padrinho Sebastião e matriarca da linha familiar)
Foto de Junho 2005
E depois a noite de São Pedro onde a jovem e linda Irene recebeu sua estrela começando assim sua jornada pessoal no caminho do Santo Daime.

Foi boom ver a Ana na alegria de esperar o nascimento de sua primeira criança.
Os caras se vestiram para uma noite fria de inverno.
De manhã houve celebrações dos aniversários de Clarice, Ricardo e Irene.


Os hinos do Padrinho Alfredo foram cantados, terminando com "Meu Deus, Meu São João"
As crianças estão maiores a cada ano.
Helena and Isabel
Tiago and Cintia
O Festival oficial de junho termina no começo de julho com uma cerimônia comemorando o presente de Mestre Irineu cantando o hinário do Tetéo, que termina dizendo que o poder do Santo Daime não é "força pequena"
É claro, não palavras adequadas para dizer tudo. Acho, por mim, que algumas fotos dos rostos felizes podem contar melhor a história.
Era aniversário da Lidia
Jesus é o rosto feliz servindo o Daime
Val e Neia
Ken e Fernando Luis
Marina e Marcelo
Ricardo disseminando notícias do Salve o Urubú, a rede local para conservação da bacia.
Manuel e Caetano
Vanesa
Luz matutina no final do Festival. Bom Dia e Parabéns
Mais fotos do Festival aqui.
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Thursday, May 29, 2008
O Daime, Caetano & Gil


Juarez Duarte Bomfim
L.E. Pomar Visual Blog
link para o post original
Por Juarez Duarte Bomfim
O jornalista Carlos Marques, atualmente consultor da Unesco e residente em Paris, estava com 20 anos de idade quando a direção da revista Manchete decidiu destacá-lo, na companhia de um fotógrafo, para uma reportagem sobre a distante Rio Branco, capital do Acre, no ano de 1969. [1]
Entre os vários entrevistados, Marques conversou com o bispo italiano Giocondo Maria Grotti, que dois anos depois (1971) morreria durante acidente aéreo no município de Sena Madureira.
Ao ser perguntado sobre os problemas que enfrentava na região, o bispo reclamou da Doutrina do Santo Daime, fundada pelo negro maranhense Raimundo Irineu Serra.
Marques decidiu conhecer o Mestre Irineu Serra, que trabalhava no roçado de sua propriedade quando o jornalista foi visitá-lo.
- Aquele encontro foi a experiência mais marcante de minha vida. O mestre Raimundo disse que sabia que eu chegaria e estava me esperando. Disse o meu nome, que eu havia sido libertado recentemente da prisão e que eu tinha uma cicatriz na perna.
Marques contou, ainda, que passou três dias no Alto Santo e tomou Daime, mas não revela detalhes de sua experiência.
- Ele me disse que um dia eu voltaria ao Acre, mas jamais acreditei nessa possibilidade.
Quando se despediu do Mestre Irineu Serra, inusitadamente o mesmo lhe ofereceu uma garrafa de Daime com a recomendação para ele tomar o seu conteúdo com amigos sensíveis. [2]
De volta ao Rio de Janeiro, Carlos Marques entrega a garrafa e o seu conteúdo ao compositor tropicalista Gilberto Gil, a descrevendo como “uma beberagem indígena sagrada que produzia visões deslumbrantes e estados de alma elevadíssimos”. [3]
Naquele mesmo dia Gilberto Gil tomou uma dose da bebida, e logo após foi para o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, pegar a ponte aérea para São Paulo.
Já no saguão do Aeroporto de Congonhas, São Paulo, onde ocorria a inauguração de uma exposição militar, da FAB - Força Aérea Brasileira - o efeito do Daime começou a se manifestar, e Gil “captara conteúdos indescritíveis na presença dos militares”. [4]
Era época de Ditadura Militar e a classe artística e intelectual brasileira estava sendo duramente perseguida, os próprios artistas baianos Gil e Caetano seriam logo após presos e “convidados” a se retirarem do Brasil.
Sob efeito do Daime Gilberto Gil sentiu glauberianamente “como se tivesse entendido o sentido último do momento de nosso sentido como povo, sob a opressão autoritária”.. . e mesmo sob o medo que então os militares provocavam.. . sentia que podia “amar, acima do temor e de suas convicções ou inclinações políticas, o mundo em suas manifestações todas, inclusive os militares opressores”. [5]
A mensagem crística chegava assim ao coração do artista, apesar de todas as perseguições e temores: “Amai a vossos inimigos”.[6] Era o Daime operando…
Depois dessa experiência solitária no vôo Rio-São Paulo, Gilberto Gil reúne um grupo de amigos no apartamento do compositor Caetano Veloso e propõe que todos fizessem uma “viagem” em conjunto. Seguindo a recomendação do Carlos Marques, Gil serve a cada um dos presentes pouco mais de meio copo.[7]
Conta Caetano: ” a beberagem espessa e amarelada tinha gosto de vômito, mas não me causou náuseas”.[8] A partir daí, a verve inspirada do poeta baiano transmite um interessantíssimo depoimento das visões e percepções do que via e sentia, da vida que percebia nos objetos inanimados, “a história de cada pedaço de matéria” de um prosaico carpete de náilon do seu apartamento, por exemplo…
Ao som do rock progressivo do Pink Floyd, no limite exíguo do vigésimo andar de um edifício paulistano, dá-se o experimento:
“Sandra (mulher de Gil) entrava e saia do quarto do som com os olhos duros e o rosto sério. Ela estava assustada. Eu a achava parecida com um índio. Gil estava com lágrimas nos olhos e falava alguma coisa sobre morrer, ter morrido, não sei. Dedé (mulher de Caetano) circulava pela sala dizendo que se via a si mesma em outro lugar. Eu fiquei muito feliz de observar que as pessoas eram tão nitidamente elas mesmas… Uns pontos de luz coloridos surgiram no espaço ilimitado da escuridão… Formas circulares eram compostas por lindos pontos luminosos dançantes. Aos poucos eu sabia quem era cada um desses pontos luminosos. E em breve eles de fato se mostravam como seres humanos. Eram muitos, de ambos os sexos, todos estavam nus e tinham aspecto de indianos. Essas pessoas dançavam em círculos de desenhos complicados, mas eu não só podia entender todas as sutilezas dessa complicação como tinha tranqüila capacidade de concentração para saber sobre cada uma das pessoas tanto quanto eu sei de mim mesmo ou de meus próximos mais amados”.[9]
É dito que da(s) experiência(s) com o Daime, particularmente experiências pico como esta, de Gilberto Gil (”Gil… falava alguma coisa sobre morrer, ter morrido”..) surgiram belíssimas canções do seu cancioneiro, tal como “Se eu quiser falar com Deus”.
“Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada , nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar “[10]
Em êxtase Caetano mirava os seus “anjos indianos” nessa “experiência celestial”.
“Eu alternava - com abrir e fechar os olhos - observação do mundo exterior e vivência desse mundo de imagens que se tornava cada vez mais denso… aos poucos eu reconhecia que os seres vistos com os olhos fechados eram indubitavelmente mais reais do que meus amigos presentes no quarto do som ou as paredes desse quarto e os tapetes”.[11]
Com a consciência expandida pela miração, Caetano conhece outra concepção de espaço, diferente da corriqueira e “precária convencionalidade” ; o “tempo era igualmente criticado por essa instância mais alta em minha consciência lúcida: com benevolência e sem nenhuma angústia, eu sabia que o fato de estar vivendo aquele momento era irrelevante diante da evidência de que eu já tinha - ou teria - nascido, vivido e morrido - e também jamais existido -, embora a percepção do meu eu naquela situação fosse uma ilusão inevitável”.[12]
O artista santamarense continua inspiradamente a narrar a sua experiência - da qual recomendamos a leitura atenta, pois não é possível transcrevê-la toda aqui - e quem discursa é também o antigo estudante de filosofia da Universidade da Bahia: diante da representação da “idéia de Deus” diz não saber se teve “o súbito retraimento de quem aprendeu que a face do Criador não pode ser contemplada. ..” Surge então a dúvida no coração de quem vivenciava um extraordinário momento extático, e ao ser levado por Dedé para se olhar no espelho do banheiro, ver seu rosto “de sempre” após toda essa experiência… passou então a ter a certeza “de que estava louco”. Porém “esse eu que tinha tal certeza era como que indestrutível: esse não fica louco, não dorme, não morre, não se distrai”…
Quão bela experiência.. . vemos que foi revelada a Luz do Daime a este sensível poeta e compositor baiano e o merecimento de se ver como espírito, a vislumbrar a sua essência - que é Divina, como a de todos nós.
Inebriado do divino e maravilhoso que é Deus, brincando com as dúvidas filosóficas a la Rogério Duarte, futuro devoto hare krishna: “Eu não creio em Deus, mas eu vi!” ou ‘É óbvio que Deus não existe, mas a inexistência de Deus é apenas um dos aspectos de sua existência”… parodiando Nietzsche Caetano vai bradar para todo o Brasil: “Deus está solto!” sob as vaias da apresentação festivalesca do seu “É proibido proibir”.
Dessa vivência transcendental, Caetano reflete assim: “… por mais de um mês eu me senti vivendo como que um palmo acima de tudo o que existe. E por mais de um ano certos resquícios específicos se mantiveram. Na verdade, algo de essencial mudou em mim a partir daquela noite”.
“Quem é ateu e viu milagres como eu
Sabe que os deuses sem Deus
Não cessam de brotar, nem cansam de esperar
E o coração que é soberano e que é senhor
Não cabe na escravidão, não cabe no seu não
Não cabe em si de tanto sim
É pura dança e sexo e glória, e paira para além da história
Ojuobá ia lá e via
Ojuobahia
Xangô manda chamar Obatalá guia
Mamãe Oxum chora lagrimalegria
Pétalas de Iemanjá Iansã-Oiá ia
Ojuobá ia lá e via
Ojuobahia
Obá
Quem é ateu…”
(Milagres do Povo Caetano Veloso)[13]
Voltando ao comecinho da nossa história… pois não é que o jornalista Carlos Marques retornou ao Acre após quase 40 anos? Ao final de uma audiência com o então governador Jorge Viana, este perguntou ao jornalista se ele já conhecia o Acre. Marques contou o que já narramos, e para sua surpresa o governador Jorge Viana mostrou ao jornalista o convite que recebera para participar dos festejos dos 50 anos de casamento do Mestre Raimundo Irineu Serra com a Madrinha Peregrina Gomes Serra, dignatária do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal - CICLU Alto Santo, no dia seguinte, 15 de setembro de 2006. E convenceu o jornalista a permanecer mais um dia no Acre.
Marques reencontrou a Madrinha Peregrina Serra, viúva de Irineu Serra, a quem pediu desculpas pelo conteúdo ofensivo que sua reportagem ganhou na edição da revista Manchete, pois esta publicou então várias páginas com a reportagem, onde prevaleceu na edição a versão do bispo de que se tratava de uma seita diabólica. “Foi a primeira entre tantas a desagradar Irineu Serra e seus seguidores”.[14]
- Eu não podia revelar que havia encontrado Deus - disse Carlos Marques.
Na noite de 30 de abril de 2008, na sede do CICLU Alto Santo, foi realizado um evento oficial no qual a Fundação Elias Mansour do Estado do Acre, Fundação Garibaldi Brasil do município de Rio Branco e representantes dos centros que integram os três troncos fundadores das doutrinas ayahuasqueiras (Santo Daime, Barquinha e União do Vegetal), que solicitaram ao ministro Gilberto Gil, da Cultura, que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) instaure o processo de reconhecimento do uso da ayahuasca em rituais religiosos como patrimônio imaterial da cultura brasileira.
O evento foi prenhe de êxito e um marco histórico do universo ayahuasqueiro brasileiro. No discurso de encerramento desta função religiosa de 30 de abril de 2008, já sem a presença das autoridades constituídas (ministro, governador, secretários de estado e políticos em geral), o orador oficial do CICLU - Alto Santo lembrou da singela história do jornalista Carlos Marques, concluindo que (palavras minhas, registro de memória): o Mestre Irineu, sabedor do passado, presente e futuro do jornalista Carlos Marques, excepcionalmente presenteou o jornalista com uma garrafa de Daime para que este a fizesse chegar as mãos do cantor Gilberto Gil, que a tomasse e conhecesse, para que, passados quase 40 anos, viesse ao Alto Santo na condição de ministro de Estado interceder por tornar a ayahuasca patrimônio imaterial da cultura brasileira.
VIVA! MESTRE IRINEU! VIVA!
[1] As informações a seguir foram extraídas de MACHADO, Altino. 40 anos depois. Disponível em
http://altino. blogspot.com/2006/09/40-anos-depois.html
Acesso em 15 de Setembro de 2006.
[2] Discurso do jornalista Antonio Alves na sede do CICLU Alto Santo em 30 de maio de 2008.
[3] VELOSO, Caetano. Verdade tropical. São Paulo, Cia das Letras, 1997, p. 308.
[4] Ibidem, p.308.
[5] Ibidem, p. 308.
[6] Lucas 6:27.
[7] Dizem os antigos que esta era a recomendação do Mestre irineu.
[8] VELOSO,, 1997, p. 322.
[9] VELOSO, 1997, p. 324.
[10] Ouçam Se Eu Quiser Falar Com Deus - Elis Regina - Capela Disponível em http://br.youtube.com/watch?v=tWuQc7W0O-A
Acesso em 26 de maio de 2008.
[11] VELOSO, 1997, p. 324.
[12] Ibidem, p. 324.
[13] Ouça o Vídeo Clip Milagres do povo - Daniel Mercury. Disponível em http://www.losacordes.com/videoclip/daniela-mercury/milagres-do-povo Acesso em 26 de maio de 2008.
[14] MACHADO, Altino. 40 anos depois. Disponível em
http://altino.blogspot.com/2006/09/40-anos-depois.html
Acesso em 15 de Setembro de 2006.
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Monday, May 26, 2008
WESAK NA LUA CHEIA
Para mim, um dos aspectos mais interessantes da religião do Santo Daime é seu prazer em celebrar os professores e ensinos de outras religiões. Céu da Lua Cheia, uma das muitas igrejas do Santo Daime na região de São Paulo, realiza anualmente um festival no "Wesak" para celebrar a vida e os ensinos de Buda.
Pessoas vem de perto e longe para cantar o hinário da Lua Cheia recebido pelo Padrinho Léo Artése


e para aprender com a sabedoria que nos foi passada por Buda, através da linhagem espiritual do Padrinho Sebastião
e de Mestre Irineu
e da força do Santo Daime.
Essa Força, essa Força
Essa Força tem o poder
De mostrar todos os mistérios
Do Universo prá você.
Viva Mestre Irineu!
Viva Padrinho Sebastião!
Viva Buddha!
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Tuesday, May 6, 2008
UMA VIAGEM AO CORACAO
Mestre Conselheiro Luíz Mendes do Nascimento
Eu tenho procurado uma forma de descrever as minhas experiencias no caminho do Santo Daime - com a familia e amigos de Luiz Mendes na Vila Fortaleza, Acre, durante minhas viagens pelo Brasil, e até hoje em dia, na minha mente, quando me sento de frente ao computador e escrevo neste blog, tão longe da floresta, no meio da gigantesca São Paulo.
Para mim, tem sido uma viagem para dentro do coração, assim como o desenvolvimento de uma disciplina para aprender a ficar lá dentro.
Apesar de adorar transmitir os aspectos de festa e alegria nos trabalhos espirituais do Santo Daime, eu quero destacar que estes são os resultados do ritual e de uma forte "corrente" de membros experientes. É necessário muita auto-disciplina e existem "passagens" difíceis para serem atravessadas. Como o padrinho Luiz Mendes costuma dizer, "para receber o presente, é necessário merecimento".
Talvez alguns videos do retiro de carnaval da Flor do Ceu possam dar uma pequena noção dessa viagem de disciplina para dentro de um coração aberto e amoroso. Na primeira noite de trabalhos na Flor do Ceu nos cantamos os hinos do Novo Horizonte, do padrinho Luiz Mendes.
Três deles estão abaixo.
O primeiro, Entrei numa Batalha, fala sobre a dificuldade de vencer a si mesmo - e não perder o amor no coração. Também fala sobre a compaixão de Deus e o milagre de São Francisco.
Estes "hinos de batalha" - focados no auto-controle e firmeza - normalmente têm ritmo de marcha militar e sao acompanhados de fogos de artificio. Eu não conheco uma explicação definitiva para os fogos, mas a versão mais aceita é a de que eles têm relação com os momentos de solidão dos seringueiros em suas viagens pela grande floresta. Eles sempre carregavam armas, disparando ocasionalmente tiros para "espantar os maus espiritos".
Como é dito em todos os caminhos espirituais, "o primeiro inimigo de uma pessoa procurando conhecimento é o medo". Eu posso imaginar Mestre Iirneu no começo de seus estudos com a ayahuasca, lutando para receber as mensagens da Rainha enquanto se cuidava dos perigos da floresta amazonica, e tendo que vencer os medos que emergem da "floresta da mente". Talvez por isso que ele tenha estabelecido os fogos em alguns hinos e a tradicao continuou.
O proximo hino, Ouvi o Som das Aguas, fala sobre o agradecimento ao primor de se receber as mais iluminadas mensagens e instrucoes no balanco de um trabalho espiritual forte e ter a esperança de coloca-las em pratica.
O esforço não é apenas para se alcançar as alturas do astral, mas também para enfrentar os desafios da vida na terra, como a destruicao da floresta. O proximo video mostra o Padrinho Luiz Mendes apresentando uma dramatizacao do espirito de Casmerim, uma entidade feminina que protege a floresta e que tem uma especial ligacao com a familia Mendes.
O video (abaixo) comeca com a ultima parte do hino que fala sobre a admiracao por este espirito, de como ela vai volta da casa do pai e de como ela sera sempre lembrada. Depois da execucao do hino, seu Luiz faz uma dramatizacao, trazendo as energias de casmerim para a cerimonia.
Como um defensor da floresta ha muito tempo, eu devo dizer que Casmerim toca o meu coracao profundamente.
Vamos agora para a noite final do retiro
A filosofia do Santo Daime afirma que a doutrina e coletiva, pertencente e recebida pela corrente espiritual, dai existir uma troca coletiva, com ofertas oriundas do passado e do presente. A noite final é o momento de compartilhar estas dadivas entre a irmandade. Talvez estes pequenos fragmentos possam retratar um pouco dessa experiencia que e a viagem ao coracao de todos.
O hino de Joaquim fala sobre o grande guerreiro do coracao, Mestre Irineu e a heranca que nos deixou da Amazonia. Houve um momento na mesa que revelou uma linda relacao de mae e filha, entre Debora e Carol, que teve um significado muito especial para mim.
Este foi o ultimo trabalho espiritual de Jacqueline na viagem com a comitiva de Luiz Mendes. Aqui esta o presente que ela nos deu.
O Retiro de Carnaval da Flor do Ceu do ano de 2008 terminou com todos cantando a oracao de Sao Francisco.
Viva São Francisco!
Viva a Harmonia!
Viva a Alegria!
Viva a Amizade!
Finalmente, eu gostaria de agradecer a Debora e Eduardo Gabrich por manter a maravilhosa Flor do Ceu, pelas suas varias contribuicoes ao movimento do Santo Daime, por espalharem a amizade e incentivo a tantas pessoas e por me fazerem sentir como se estivesse em casa.
Viva Eduardo e Débora!
Viva Mestre Conselheiro Luíz Mendes!
Viva Mestre Irineu!
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Monday, April 28, 2008
MESA BRANCA COM PAI JOÃO
(Traduzido por Marco Aurelio Chibiaque)
Flor do Ceu
03 feb 2008
incorporação na mesa branca
Um trabalho de mesa branca é o sincretismo entre o Santo Daime e a Umbanda. Tendo em vista que cada um possuem elementos trazidos do misticismo catolicao, espiritismo, religioes africanas e tradicoes indigenas brasileiras, a uniao do "Umbandaime" poderia ser vista como o "sincretismo do sincretismo". Os rituais podem ser uma profunda experiencia de cura ou uma grande festa espiritual, ou normalmente ambos e muito mais.
Esta noite, o guia espiritual de umbanda Pai João
comandou a Mesa Branca, que estava direcionada a trazer a todos a cura e a alegria dos espiritos das crianças e todos nós. O ritual começou com os tradicionais hinarios "A Oração" e Cura do Padrinho Sebastião, seguida de um período de meditação, onde se ouvia o som do didgeridoo.
Então Pai João preparou as crianças e coloco-as entre as pessoas para que lhe trouxessem boas energias.

Ele trazia mensagens às pessoas.
Então ele abriu o ritual, chamando os espiritos para incorporarem naqueles que desejaram se dispor.
Aqui estão alguns videos, começando com a primeira rodada de chamadas. Holderness (de camiseta verde) deu voz ao espirito de um caboclo.
Depois as crianças circularam ao redor da mesa enquanto todos cantavam "Flor da Aguas" do Mestre Irineu.
Então as crianças (entidades) foram chamadas e todos entraram no círculo.
Então, num clima de grande festa, vieram as diversões. Aqui estão fragmentos de dois hinos - primeiro a dança de roda norte americana "terra meu corpo" (sincreticamente em portugues) e "A Casa é Esta" do Mestre Irineu.
E finalmente "Eu entrei numa viagem" (ou Pomponsada) do Pad. Luiz Mende que versa sobre os caboclos de cura.
Parece que faz part do espirito brasileiro estar sempre unindo e misturando - espiritos, culturas e pessoas - procurando, de alguma maneira, novos ritmos e melodias, atravessando as divisões e polaridades dos conflitos do passado. Desta maneira cordial de cultura e religião, a luta vira uma dança na Capoeira e a cura se transforma em festa na Mesa Branca.
Misturas espirituais ecleticas parecem ser um dos mais verdadeiros elementos do Brasil, onde a "mistura" de varios ingredientes diferentes - biologia, musica e religiao - é considerada um presente e uma missão cultural. De fato, o ministro da cultura (e musico mundialmente conhecido) Gilberto Gil, se referiu ao Brasil como o lugar onde as imigrações de vários povos são sincretizadas numa miscigenação de culturas de nível planetário.
Talvez seja no desenvolvimento deste sincretismo de religião, musica e cultura que a noção do sagrado surja em todos, e como um grande forró se espalhe pelo mundo, partindo dos centros espirituais e religiões folclóricas encontradas no Brasil.
Todas fotos Flor do Ceu Carnival aqui.
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RETIRO DE CARNAVAL DA FLOR DO CEU
(Traduzido por Marco Aurelio Chibiaque)
O Retiro de Carnaval anual da Flor do Ceu em Santa Luzia, Minas Gerais (perto de belo horizonte) reune novos e antigos amigos. Uma boa reuniao, e claro, começa com um grande numero de pessoas. E é isso o que tivemos. Carol, surgindo nos raios do sol, simboliza muito bem essa idéia.
Mas, sendo fevereiro, naturalmente houve um pouco de chuva e algumas soluções bem peculiares.
Os dias foram cheios de eventos:
Josemar dirigiu varios exercicios, meditacoes e workshops sobre energia.

Janaina ofereceu massagens durante todo o tempo.
E Georgette dava informacoes sobre a linha de produtos herbais da Vila Fortaleza.
Um dia do festival foi dedicado a cultura africana, que é um dos elementos que formam a cultura brasileira, bem como suas praticas espirituais. Mestre Joao dirigiu um workshop sobre capoeira que é uma manifestação iniciada no seculo 16, criada e desenvolvida por indios e escravos trazidos da Africa.

E houve uma apresentação maravilhosa de percurssão e dança africana.

Todos Fotos Flor do Ceu Carnival aqui.
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Wednesday, April 23, 2008
Santo Daime: A Doutrina Musical
(Traduzido por Marco Aurelio Chibiaque)
Saturnino cantando um hino após um trabalho spiritual na Vila Fortaleza.
Ao contrário das doutrinas escritas e codificadas em livros, a doutrina do Santo Daime é musical. Mas o que quer dizer isso?
Esta é uma pergunta bastante difícil de responder, e eu nem tentaria. Mas gostaria de mostrar uma idéia através das imagens que capturei com minha câmera na Flor do Céu, durante o retiro espiritual que ocorreu em fevereiro de 2008, em Santa Luzia, Minas Gerais.
Meu amigo José Murilo escreveu um pequeno texto sobre a musicalidade da doutrina, no qual ele aponta que, apesar do recebimento de canções e chamados musicais ser uma experiência shamanica e oasqueira comum, ela adquiriu no Santo Daime a qualidade de formar comunidades – avançando de passo-a-passo, de uma grande experiência interior, para relações, daí para uma partilha maior entre um e outro e finalmente para uma forma cerimonial ritualizada. Desta maneira, os hinos são normalmente um veículo para levar a força da floresta do interior para as cidades maiores, e vice versa. Através da execução e partilha da música, relações são construídas e se estabelece uma harmonia que cria uma força ou sinergia coletiva que é muito maior do que qualquer indivíduo envolvido e mais do que a mera “soma das partes”.
Esta é Zuleide, responsável pela cozinha este ano, cantando enquanto trabalha. De fato, me parece que Zuleide passa a maior parte de seu tempo cantando e trabalhando com uma incansável energia positiva. Era comum encontrá-la sozinha na cozinha, firme em seu trabalho, enquanto cantava e talvez flutuava em suas boas memórias e pensamentos. Neste dia eu perguntei se poderia fazer alguns vídeos enquanto ela trabalhava. Depois eu tomei a liberdade de inserir algumas imagens que “talvez tenham se passado por sua mente”.
Geri e Gerismar são filhos de Zuleide. Eles viajam com a família de Luiz Mendes como músicos da comitiva. Apesar de eles conhecerem os hinos “de cor e salteado”, acabam por praticar os hinos quase todos os dias, aperfeiçoando a habilidade de trabalhar juntos. Quando os irmãos se juntam para tocar, as pessoas são atraídas para o local como abelhas ao mel.
Normalmente na viagem para outras igrejas, existe um ensaio especial para compartilhar os hinos locais com os visitantes da floresta. Desta forma, a doutrina vai se envolvendo em todas as direções, através da comunhão da música. Esta é a comitiva reunida para aprender os hinos de Ademir, que é um dos músicos oficiais da Flor do Céu. É um luxo poder ouvir a maneira como Jacqueline da Bélgica, a comitiva da Amazônia e os rapazes de Minas Gerais, Europa e Estados Unidos estão desenvolvendo juntos a doutrina musical. (São partes de dois hinos neste vídeo).
No final, toda esta relação musical se transforma numa experiência ritual formalizada na qual vozes, corpos, instrumentos musicais e ensinos formam um desempenho perfeito, que transcende qualquer indivíduo.
O hino, recebido por Saturnino, é o Pequenininho, que diz:
Pequenininho, pequenininho
Pequenininho para seguir no caminho
Grande na alegria
Grande na verdade
Grade na harmonia
Grande na humilidade
Pequenininho, pequenininho
Pequenininho para seguir no caminho
Grande na firmeza
Grande no amor
Grande na certeza
Do nosso pai criador
Pequenininho, pequenininho
Pequenininho para seguir no caminho
NOTA: Talvez você tenha percebido algumas novas técnicas e uma melhoria na resolução destes vídeos? Isto porque meu grande amigo Juba (Luis Eduardo Pomar) tirou um tempo de sua apertada agenda para me ensinar alguns truques de edição de vídeo. Muito obrigado Juba! Não deixe de visitar o blog visual dele. É uma beleza.
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Monday, April 14, 2008
DIVINOPOLIS
(Traduzido por Marco Aurelio Chibiaque)
30 de Janeiro de 2008
Minas Gerais, Brasil
Estar na estrada com a familia e amigos de Luiz Mendes é como estar numa caravana de paz, alegria e amizade - dando e recebendo. Nosso primeiro trabalho espiritual foi na Flor Divina, em Divinópolis (no centro do estado de Minas Gerais). A igreja possui uma pintura espetacular mostrando um paraíso em grandes imagens.
Lá está a tradicional pintura de Mestre Irineu, que também está na parede da igreja da Vila Fortaleza (que foi um presente do Pad. Paulo ao Pad. Luiz) e a cadeira vazia simbolizando a presença do Mestre.
Foi noite de concentração (meditação), que é realizada duas vezes por mês.
E houve a seleção de hinos do Novo Horizonte (que é o hinário que está ainda está sendo recebido pelo Mestre Conselheiro Luiz Mendes).
Então a diversão começou quando os dois padrinhos (que são amigos há muitos anos) começaram a contar estórias. Padrinho Paulo (que é chamado por seu Luiz Mendes por Dr. Paulo por ser dentista) começou contando que, quando conheceu Luiz Mendes, este não tinha dentes.
Entao o padrinho Luiz respondeu "sim, mas voce me deu um sorriso novo".
E a conversa foi diversão para todos.

Daí eles prestaram uma homenagem especial à madrinha Rizelda.

E depois do trabalho, tomando a amizade entre eles como um bom exemplo, padrinho Luiz continou enfatizando a importancia de se construir boas relações entre os irmãos, as igrejas e as diversas linhas da doutrina do Santo Daime.
E isto foi muito claro por aqui...


A proposito, como eu posso ter entendido tudo isto se eu nem falo portugues? A resposta é que eu tive a ajuda especial do Marco Aurelio, que fala bom inglês e adora ajudar.
Mais fotos aqui.
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Wednesday, April 2, 2008
Blogger Brasileiro Reporta Sobre a Crise no Tibete
Em Boudha, o bairro tibetano mais importante no vale de Katmandu, monges rezam para a paz mundial e interior. Ao fundo, uma pintura do palácio Potala lembra a relação com a terra natal.
Minha amiga Nina Michaelis, que me ajuda com algumas traduções para este blog, me mandou o seguinte recado:
Tenho um amigo, jornalista, fotógrafo, que ja viajou para mais de 130 paises e escreve para varias revistas importantes, tem este blog viajologia. Neste momento ele esta em Katmandu, 6 meses depois de sua viagem ao Tibet que foi a matéria mais comentada da revista Época-online. Vale a pena.
Sim, estamos todos interligados.
Por favor leia mais aqui.
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4:24 PM
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Tuesday, April 1, 2008
Trabalho de Crianças
(Traduzido por Marco Aurelio Chibiaque)
Vila Fortaleza
06 de Janeiro de 2008
O principal motivo pelo qual os Daimistas do Acre são tão firmes em seus trabalhos espirituais é que eles têm tomado Daime desde a infância, comumente iniciando ainda no ventre materno.
(mais)
Apesar de ser essa uma prática antiga (Madrinha Rizelda, por exemplo, tem tomado Daime há cerca de 60 anos, iniciando quando tinha apenas 7 anos), apenas no ano passado as autoridades brasileiras – após delicado estudo – declararam a autorização para as crianças tomarem o sacramento, com permissão dos pais.
A nova igreja das crianças, na Vila Fortaleza.
As crianças começam a aprender os hinos bem cedo. O trabalho de crianças é essencial para o futuro da comunidade – e também muito divertido. Assistir Ana Rosa e Livia aprendendo a dançar é precioso.
VIVA AS CRIANÇAS!
Mais algumas fotos aqui.
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3:11 PM
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OLHANDO PRA TRAZ E OLHANDO PARA FRENTE
(Traduzido por Nina Michaelis)
Cresci em meio a classe trabalhadora na cidade de Chicago. Ja no primário, minha professora ensinou-nos que nenhum de nós jamais poderia ser presidente dos Estados Unidos porque todos nós éramos católicos ou judeus. "Somente protestantes podem ser presidente," disse ela.
Na época nem eu nem meus amigos ficamos desapontados por não podermos ser presidente, mas com certeza ficamos muito curiosos sobre o que seria um Protestante? A maioria de nós não conhecíamos nenhum. Isso porque naquela época a América era segregada e dividida, não apenas racialmente mas também quanto a religião e etnia. Cada um vivia e interagia dentro da sua própria vizinhança, no próprio quarteirão e no próprio grupo familiar.
Um dia, nos primórdios dos anos 60, quando eu tinha 21 anos, aconteceu um fato novo que estava para mudar tudo: John Fitzgerald Kennedy era candidato a presidente dos Estados Unidos. E nós ficamos sabendo que se um católico podia virar presidente, então tudo era possível. Ele foi eleito e eu saí da minha vizinhança étnica em Chicago para uma pós graduação na Universidade de Columbia em Nova York.
Me graduei em política norte-americana. Minhas pesquisas foram sobre o estudo das raças e a pobreza nas grandes cidades. Minha primeira publicação, junto com dois colegas foi sobre uma votação que houve em Nova York sobre uma tentativa de rever casos de brutalidade policial (principalmente contra negros). Meu primeiro emprego como professor foi no Oberlin College em Ohio onde fiquei ativo nos movimentos pelos direitos civis. Depois disso fui promovido para a Universidade de Ilinóis onde conduzi pesquisas a respeito da participação do cidadão pobre nos programas anti-pobreza promovidos pela cidade de Chicago.
Enquanto isso, nos campus universitarios, a guerra do Vietnã ganhava espaço como prioridade política. Era um enorme caldeirão de ressentimentos passados misturados com as mais promissoras possibilidades até então imaginadas. Nós eramos a revolução. Aí chegou 1968: em abril houve o assassinato de Martin Luther King. Robert Fitzgerald Kennedy foi morto em junho. Em agosto a Conveção Democratica provocou violência nas ruas de Chicago. Foi o suficiente para mim.
Muitos de nós começávamos o processo de nos retirarmos dos Estados Unidos, alguns mudando de mentalidade, alguns mudando de solos. Pensavamos: "Os Estados Unidos são e sempre serão os Estados Unidos, é hora de buscarmos outras coisas."
Quem podia imaginar que um dia de Chicago chegaria algo como o que está por acontecer...
(em inglês)
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Friday, March 28, 2008
(Traduzido por Ricardo Santana)
São José no Reino do Sol
16 de março de 2008
São Paulo
Quando a comitiva do Sr. Luiz Mendes viajou de volta para o Acre no começo de março, eu fiquei em São Paulo para ter uma conexão de internet rápida, para postar todas as fotos e vídeos que eu coletei. É dificil estar tão longe de casa, mas eu estou verdadeiramente agradecido pelos meus amigos desta metrópole, -- a maior da América do Sul -- que me fazem sentir confortável em suas casas e centros espirituais e que dividem muitas aventuras urbanas comigo. Com tantos grupos de Daime na grande região de São Paulo, eu nunca estou muito longe de casa.
No último Domingo eu comemorei a festa de São Josê no Reino do Sol.
Esta Dália no jardim do Reino do Sol se parece com o sol brilhante e combina perfeitamente com a energia deste maravilhoso centro de Daime.
Que comemoração foi esta!
Com os batismos
E fardamentos
E muitas novas e velhas conexões.
Suely visitou os Estados Unidos muitas vezes e pensa nos meus amigos do Ashland e Bend, no Oregon,como sua família americana.
Para o trabalho de São José nos cantamos o hinário do Padrinho Alfredo. A forte conexão com o Mapiá e a linha do CEFLURIS motivou muitos vivas para o Padrinho Sebastião, Padrinho Alfredo e Valdete e para a Madrinha Rita.
O Reino do Sol também tem uma fortíssima ligação com a religião Afro-brasileira Umbanda a qual possibilita conexão com muitas entidades espirituais e energias organizadas em falanges sob os Orixás. Eu não conheço muito sobre a Umbanda e fiquei surpreso em ver um índio americano representado no altar.
Águia Dourada e São Miguel no altar do Reino do Sol.
Eu pedi ao Gê Marques uma lição e ele disse que a Umbanda faz contato com muitas energias espirituais que aparecem em tempos diferentes em diferentes culturas e de diferentes formas. Ele disse que o índio americano é o Águia Dourada e que ele é o guia espiritual desta igreja. "Uau", eu pensei, "estou em casa novamente".
A aparente universalidade do Santo Daime com seu dom de abraçar e se conectar espiritualmente com muitas tradições nunca cessa de me impressionar. Aqui estava eu em São Paulo, Brasil, sentindo uma profunda conexão com a tradição Lakota das Planícies Indígenas da América "o povo de todas as minhas relações" que me deram de presente as orações do tabaco e algumas das amizades mais profundas que eu já tive.
Mais tarde, eu caminhei em volta da igreja admirando os quadros maravilhosos e artes mostrando muitas energias espirituais e eu estava tremendamente comovido enquanto olhava esta cópia de uma pintura do visionário artista americano (não nativo) Charles Frizzell
A última viagem do Xamã, por Charles Frizzell
Alguns temas são tão universais. Eu não conheço a intenção de Frizzell aqui mas, talvez devido a lua (ou ao poder do Daime que eu tomei), eu vi uma grande Rainha pintada. Pensei na imagem daimista da Deusa Universal ou a Virgem da Conceição chegando numa pequena canoa e lembrei de um belo hino de José Rosa...
Vem chegando, vem chegando
A barquinha vem chegando
È o amor, a luz
Na barquinha vem chegando
Vem abrindo o caminho
De Deus nosso Senhor
A Virgem Mãe quem guia
A bbarquinha que vem chegando
Me entrego, me entrego
À vontage do Pai Eterno
Em meu coração
Eu sol reino de amor
E eu senti o poder de Mituke Oyasin, todas as minhas relações.
Mais fotos aqui.
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(Traduzido por Suely Mizumoto)
FORRÓ COM DAIME
Encontro por um Novo Horizonte
Vila Fortaleza Janeiro 2008
Forró é a dança popular do Brasil Nordestino onde Mestre Irineu nasceu. Em sua maneira moderna é uma dança vigorosa como a polka, mas mais rítmica e com o quadril em movimento e tem se transformado em diferentes formas pelo Brasil, e mesmo nos Estados Unidos.
Na Vila Fortaleza é mais dançada no estilo antigo da valsa. Aqui estão as palavras (em itálico) do Padrinho Luiz Mendes recordando o forró nos tempos de Mestre Irineu.
" Proporcionava festas de dança. O Mestre dançou muito e a dança dele predileta justamente era o forró. Ele gostava do forró. Ele dançava bem, e bonito, e era animado numa festa. Festa dele não perder uma parte sequer, noite inteirinha. Eu já alcancei de uma noite, mas houve aí um passado em que dançavam eram três noites seguidas. ....
"Forró. Tomando Daime. Rapaz, ficava uma festa...."
"É um [espiritual] trabalho. É um trabalho que dá gosto a gente ver, você sair dançando com a sua mãe, tomando Daime, mirando, coisa mais linda que se pode apreciar. "Ah mas eu não sei dançar!" A orquestra ensina, o Daime ensina, que ele que bota tudo no jeito que é para ser, dançando mirando."


"Daí tem uma expressão de quando ele ia tirar uma dama para dançar. É uma coisa tão rica, tão rica, a força como ele se expressava ao tirar uma dama.... se levantava se estivesse sentado e falava com as damas, assim, separadas: "Uma dama de prata para dançar com um cavalheiro de ouro.”
"É muito gostoso, é muito bom você dançar com sua mulher, você dançar com sua irmã, dançar enfim com todas as damas, principalmente aquelas que também tomaram Daime, que para dar certo é bom que o cavalheiro tome Daime e a dama também tome Daime. Mas é bom, é muito bom, é coisa sonhada e que estamos apenas lembrando."
"e vamos dançar, vamos se animar"
Saturnino cantando um clãssico de Luiz Gonzaga.
A canção se lamenta da perda do ar saudável, água, terra e de Chico Mendes. Ao final, Saturnino muda seu lirismo suavemente para incluir Mestre Irineu. Chico Mendes e Raimundo Irineu Serra ambos engajados em movimentos significativos globalizantes -- espirituais e políticos -- ofertando uma nova esperança ao povo e à natureza das florestas do Acre.
Nesta noite, a maioria dos músicos do forró (e muito convidados) eram do Município local de Capixaba, onde às margens do Xapuri Chico Mendes lutou para salvar a devastação da floresta tropical e foi assassinado em 1988. Ao longo destes últimos 20 anos a política desta área tem se tornado mais progressista com os programas de planejamento de uso de terras e de desenvolvimento de economia sustentável do Estado do Acre. As antigas tensões estão sendo mais aplainadas entre aqueles que querem a preservação e aqueles que querem a exploração dentro deste processo.
Hoje, naturalmente, existem novas pressões. Sinais de globalização estão em todo lugar.
Há cana de açúcar sendo plantada para ethanol

e até prospecção de gás e óleo (Acre setentrional). A estrada da costa oeste está sendo pavimentada. Peru onde infelizmente, violência e assassinato tem se deflagrado novamente e derrubada ilegal de árvores tem penetrado em terras indígenas no Brasil.
A situação é mais tranqüila no Acre certamente, mas a pressão para desenvolver-se economicamente para a exportação é grande. Uma nova ponte para o Peru já foi aberta ligando caminhos do Acre e Brasil para Ásia e os mercados do Pacífico.
Nesta noite do forró na Vila Fortaleza outra ponte está sendo construída -- entre o povo local das culturas rurais próximas e os visitantes do Santo Daime dos centros urbanos e estrangeiros. Aqui, na pequena Vila Fortaleza, eles estão cantando e dançando ao longo da “estrada interior” do Santo Daime onde o importante “produto a ser exportado” é a amizade e o contentamento.Talvez, esta exuberância e felicidade devam também ter significância global.
Aqui estão algumas fotos:
















Ver todas as fotos aqui.
NOTA: Eu penso ser importante declarar que o Forró-Daime mostrado neste site não é uma experiência comum ao longo do percurso daimístico, e não é apresentado pelo grupo Luiz Mendes fora do espaço próprio da Vila Fortaleza.
Rituais com base em Ayhuasca se referem a uma forte substância psicoativa que é freqüentemente purgativa e extremamente difícil. Em nenhum caso pode ser considerada uma “ festa de drogas”. A realização do acontecimento exposto apresentado acima se deve à um conteúdo fortemente espiritual e de muitas pessoas muito bem preparadas para tal. Felizmente, isso é o que existe na Vila Fortaleza.
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Thursday, March 27, 2008
Noite de São João
na Igreja do Santo Daime
no Céu do Planalto em Brasília, Brasil.
22 Junho 2007
(pintura por Gervásio)
Os meses de junho e julho constituem período com muitos Dias Santos e festivais em todo o Brasil. Estes festejos e celebrações também criam oporturnidades para compartilhar a benção da amizade.
A noite de São João é uma ocasião especial para festejar a transformação -- um tempo em que novas jornadas se iniciam, e quando também podemos aprofundar o que já temos e somos. Este ano o Trabalho de São João no Céu do Planalto em Brasília incluiu o fardamento de novos membros, um batismo, e a cerimônia especial de benção ao casamento e união familiar de Cintia e Murilo. Na media em que a felicidade da união foi compartilhada, a alegria infundiu-se em todos como um maravilhoso contágio e todos nós fomos abençoados.
As fotos contam a estória melhor do que ninguém.



Viva alegria. Viva amor. Viva união.
















Clique para mais fotos no flickr.
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Tuesday, March 25, 2008
(Traduzido por Suely Mizumoto)
Finados at Ceu de Maria
No alto da montanha, acima da cidade de São Paulo,
localiza-se uma igreja lindíssima chamada "Céu de Maria."
Neste lugar muito agradável,
pessoas se reuniram para realizar a Sexta Feira Santa em seu ritual de "Finados" -- chamados de os quatro companheiros de Mestre Irineu, os quais a ele se unindo ajudaram a fundar a Doutrina do Santo Daime. Atualmente em se tendo sido resguardado esse ritual, as pessoas podem cantar, bailar e se lembrar.
E esta lembrança incluiria também os grandes fundadores da Mapia que já fizeram sua passagem --
Padrinho Sebastião
e Madrinha Cristina
e Lucio Mortimer, Padrinho Corrente, Padrinho Wilson e outras. Recentemente, agora um antigo colaborador que ajudou a fundar o Céu de Maria e que morava nesta casa próxima à igreja até seus últimos dias.
Orlando Villas Boas , irmão de Glauco Villas Boas, Presidente desta Igreja, foi um grande amigo. "ORLANDINHO" -- como era conhecido por todos -- estava com 53 anos de idade. Sua passagem trouxe um profundo e comovente sentimento experimentado por aqueles que estiveram presentes neste trabalho espiritual que se finalizou com a realização de uma Missa.
Eu não desfrutei da satisfação de ter conhecido "Orlandinho" exceto pela energia de grande amor e saudade presente ao longo do dia.
Eu não estou sabendo bem como expressar isso? Talvez assim....
No começo do trabalho espiritual do Hinário Maria Damião, eu pensei enquanto cantava seus hinos... sobre a criança que havia sido São João e no homem que crescido, pode ter sido manifestação dessa sua energia
e eu pensei nos próximos que estão vindo...


e fiz uma saudação: "Viva as crianças"!
Existem mais fotos aqui.
(Nota: As montagens maravilhosas das fotos que decoram o salão daqui e do Mapiá são feitas por Carlos Gustavo N. Pereira. Agradeço a você, “Guta”, por tão esplendido trabalho.)
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Wednesday, November 21, 2007
(Traduzido por Nina Michaelis)
"As nossas ações nos próximos 2 ou
3 anos determinarão o nosso futuro.
Este momento é definitivo."
-- Rajendra Pachauri,
diretor do Painel Internacional das Naçoes Unidas sobre Mudanças climaticas
A história que pode trazer uma resposta pode estar vindo do Brasil. É verdadeiramente uma oportunidade de ouro.
Primeiro, a história...
Há muito tempo atras, no século XVI, o conquistador espanhol Francisco de Orellana, foi o primeiro explorador que navegou pelo rio Amazonas acima em direção ao rio Negro, enorme afluente, rio acima de Manaus. A jornada foi de cerca de 2.500km desde o Oceano Atlantico. Para a infeliz tripulação, foi uma viagem terrivel cheia de adversidades e infortunios onde no final sobrou apenas Orellana, unico sobrevivente a conseguir voltar à corte espanhola e contar sua história.
Mas, que história! Podemos até imaginar que Orellana sobreviveu apenas para completar sua missão de contar que havia encontrado o Eldorado - cidades douradas, fantasticas, no coração da floresta no mundo novo. Ele relatou algo ainda mais inacreditável do que ouro: que havia uma civilização indigena muito avançada com alta densidade demografica. Enormes povoações indigenas vivendo junto àos rios amazonicos! Suas histórias eram fantasticas e fabulosas. Duvido que a corte espanhola pudesse acreditar em uma civilização mais avançada do que ela, tudo que podiam e queriam imaginar era aquele ouro todo....
Muitas expedições inspiradas pelo ouro cortaram o mundo novo, mas nenhuma encontrou o buscado Eldorado. Quase um século depois, missionarios chegaram à região explorada por Orellana mas apenas encontraram pequenos grupos nomades de caçadores ocupando a floresta. A conclusão obvia era a de que Orellana inventara uma grande história mascarando o seu próprio fracasso. E muitos anos depois, uma geração inteira de cientistas modernos confirmaram a impossibilidade de um Eldorado em plena floresta, porque a pobreza dos solos amazônicos nunca poderia ter sustentado uma agricultura em larga escala, pré-requisito para uma grande civilização.
Mas, esta bem estabelecida visáo de que o solo amazônico nunca poderia ter abrigado grandes povoamentos, começa a desmoronar. Primeiro graças a um novo estudo na Bolivia e, mais recentemente na Amazônica central, cientistas descobriram sinais de denso povoamento. Aparentemente os indios parecem ter descoberto como transformar o solo pobre e amarelado em profundos depósitos de terra fértil e escura, chamada de terra preta de indio.Que histórias são essas? Os solos de terra preta são uma mistura de cacos de ceramica com carvão. Os pedaços de ceramica são partes de panelas e vasilhas enormes que poderiam somente ter sido usadas por uma população náo nömade, e sim que vivia fixa em algum lugar . E o carvão, aparentemente parte da floresta, foi picado em pedaços pequenos indicando que o solo foi feito pela população local.
O resultado são solos impressionantemente férteis, com casos de plantas que crescem até 800% a mais que em solo não tratado e com a capacidade de suportar agricultura em larga escala. Antropólogs encontraram grupos indígenas com um passado de terem vivido em grandes populações sedentárias e não nomades.
Recentemente foram mapeadas as áreas de terra preta ao longo do rio Tapajós onde encontraram pedaços de ceramica de 2000 anos de idade. Testes de carbono realizados no solo sugerem até 4.000 anos de idade e ainda completamente férteis, o que é raro na Amazonia onde as chuvas fortes costumam desmineralizar os solos rapidamente. Interessante, os mapas mostram uma enorme coincidëncia entre essas áreas com as áreas do Eldorado relatado por Orellana.
Então o que aconteceu com as civilizações desaparecidas? Ninguém sabe com certeza. Há poucas evidências porque não há pedras nas área e qualquer estruturas de madeira rapidamente retorna à natureza, sem rastros. As melhores especulações dizem que a primeira expedição européia transmitiu doenças como variola e sarampo, gripes e resfriados a uma população que durante tanto tempo viveu harmoniosamente com seu meio ambiente que não tinham doenças e nem a necessidade de se imunizarem. Após a morte catastrófica da maioria da população, os poucos sobreviventes teriam voltado à vida nômade de caçadores e coletores. O solo preparado pela civilização permaneceu escondido no subsolo.
Hoje em dia, em alguns lugares terra preta é colhida e vendida como terra para plantio. Se pouca quantidade, uns 20cm, são removidos e o local deixado descansar, ele se recompõe totalmente em uns 20 anos. Aparentemente a: terra preta se desenvolve como uma cultura orgänica capaz de se desenvolver assim como uma massa de pão, um iogurte, se desenvolvendo como ouma terra viva.
Há 5 anos a TV BBC de Londres fez um documentario especial para TV chamado O Segredo do Eldorado, que terminava com as seguintes palavras: "Existe uma verdade na busca do Eldorado. Existiu sim uma grande civilização na Amazônia, que foi destruída pelos europeus, mas o povo amazönico pode ter nos deixado um tesouro muito mais precioso do que o ouro que os conquistadores procuravam. A Terra Preta, pode significar um futuro melhor para todos nós."
Uma oportunidade de ouro
Neste documentario de 2002 da BBC, foi apresentada a possibilidade de um futuro melhor tanto de salvação da floresta amazönica como de alimentar muito mais gente. Agora, o aquecimento global aumentou muito a necessidade de remover CO2 da atmosfera e sequestra-lo para outro lugar. Exatamente o que faz a terra preta porque: 1- as plantas crescem muito mais, portanto removem muito mais CO2 da atmosfera e 2- as sobras da agricultura, sâo transformadas em carvão, este pode ser usado para renovar o solo e sequestrar carbono.
O resultado deste sistema, significa um solo muito melhor, mais comida, combustiveis limpos, menos devastação das florestas e se, revisarem o protocolo de Kioto para incluir o pagamento do sequestro de carbono, significa que paises em desenvolvimento como Brasil , fazendeiros e agricultores, serão pagos; melhorarão sua qualidade de vida enquanto salvam a terra plantando tanto comida quanto combustivel. Por isso a Terra Preta tem sido chamada de Ouro Preto.
Todos pensam no Brasil, nos dons brasileiros com futebol e samba. Mas o Brasil é um pais que tem o dom de extrair luz da negritude. O Ouro descoberto em Minas Gerais era chamado de Ouro Preto, porque suas pepitas tinham uma capa escura;. Ou. anos depois quando foi econtrada num rio uma estatua da Virgem com pele escura, foi chamada de Nossa Senhora Conceição de Aparecida. Para mim esse é um dos grandes simbolos da fertilidade da Mãe Terra. Nossa Senhora Negra é a padroeira do Brasil e o centro do maior Basílica do mundo.
Agora temos a redescoberta de um poderoso solo escuro chamado terra preta junto com a especulação de uma antiga altamente avançada civilização. Talvez a Terra Preta possa ser um dos maiores presentes que o Brasil oferece ao mundo.
Talvez possamos contar a história de como um dia houve um povo que vivia em completa harmonia com a Natureza num lugar chamado Eldorado e que quem sabe, se com muito cuidado, amor e atenção podemos repetir a performance.
Aqui alguns links com mais informações:
Australian Broadcasting Company video about contemporary Terra Preta applications.
Full transcript of BBC Eldorado documentary.
Easy to read primer on Terra Preta.
Expandable Google map of Terra Preta sites.
Pdfs of the best magazine articles.
Continuous updates of all relevant links.
How biofuels can become carbon-negative and save the planet.
US Senator introduces bio-char legislation.
Research confirms bio-char in soil increases yields.
Biopact on the IPCC bio-fuel recommendations.
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Lou Gold
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2:38 AM
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Wednesday, October 31, 2007
Fios da Terra
Eu já apresentei o trabalho de Fios da Terra, de minha amiga Nina Michaelis. Agora ela tem uma nova linha de produtos. Confira. É um trabalho realizado por ela junto a um grupo de tecelãs , num resgate da cultura tradicional da tecelagem mineira. Esta é a Nina trabalhando no vale do Matutu
Estes são alguns dos produtos dela:



Para mais informações, entre em contato com ela em ninamatutu@gmail.com
Estes são alguns dos produtos dela Flickr
Você pode visitar e permanecer na sua chalet.
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Lou Gold
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11:45 AM
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Monday, March 12, 2007
Aquecimento Global e Mudança Climática
Com o aquecimento global causado pelos humanos e as drásticas mudanças climáticas, parece oportuno postar algumas imagens que criei sobre o tema. Aqui estão elas:






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Lou Gold
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3:16 AM
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Tuesday, February 13, 2007
A expansão da Fortaleza envolve uma área de cerca de 100 hectares (250 acres). Aproximadamente 70% da área contemplada no plano é de floresta natural e esse núcleo de floresta é rodeado por áreas desmatadas que são convenientes à agricultura, residências e reflorestamento. Mais da metade da terra já foi adquirida. Solon fez várias apresentações do plano que inclui tanto proteção da floresta natural restante quanto a recuperação das porções de terra destruídas.
Encontro para o Novo Horizonte
Exposição Fotográfica
Comunidade Fortaleza
Capixaba, Acre, Brasil
30/12/2006 a 09/01/2007
(Traduzido por Bruno Correia)
CHEGANDO À FORTALEZA
Nossa viagem começou no mercado central de Rio Branco,
a capital do estado do Acre e centro comercial regional. Depois de um dia de visita ao mercado para comprarmos as provisões embarcamos no ônibus lotado com a família, amigos e todo o material para o Encontro.
A estrada - denominada "Via Verde" - revela a propagação das lavouras de monocultura de produtos agrícolas e das terras para pasto.
Como é típico ao longo das estradas na região Amazônica, nossa rota nos levou por ente os ranchos e fazendas que tomaram o lugar da floresta.
Assim que deixamos a estrada principal o cenário se transformou em um refrescante caminho e, devido à chuva, andamos o pedaço restante até a comunidade.
Havia uma comitiva de boas vindas esperando para nos saudar e logo houve uma pequena festividade de inauguração da lanchonete onde pudemos desfrutar de sucos de frutas tropicais.
A tarde terminou com um amável arco-íris que todos consideraram uma abertura promissora para o VI Encontro para o Novo Horizonte na Fortaleza.
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CHUVA E BRILHO
Realmente choveu muito esse ano, freqüentemente com ventos muito fortes. Houve um dilúvio no nosso primeiro dia de acampamento. As pessoas disseram que normalmente há muita chuva essa época do ano, mas foi muito incomum chover com tamanha intensidade. Felizmente, nossas barracas estavam "um pouco" protegidas por grandes tendas.
Mas a Natureza é maior, então muitas pessoas apenas decidiram se divertir com tudo isso.
Quando o sol saiu havia roupas secando penduradas por todo lugar. Meu olho fotográfico foi pego por suas formas e cores. Às vezes elas pareciam ter uma beleza especial.
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TRABALHOS ESPIRITUAIS
Houve muitos trabalhos espirituais durante o Encontro
-uma Concentração e um Trabalho de Cura, o Trabalho de Ano Novo, o de aniversário do Padrinho Luiz Mendes, Junaída e Janaína, o do dia de Reis, assim como um dia de trabalhos na floresta (mostrado em separado) e um trabalho de encerramento.
Houve muita cura. Houve muita alegria. E também MUITOS fogos de artifício.
Padrinho Luiz recebeu um presente especial: um lótus iluminado.
E tivemos novos irmãos fardados.
O amor, a alegria e a proximidade com o Mestre foram profundamente sentidos durante todas essas maravilhosas cerimônias.
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TRABALHOS NA E PARA A FLORESTA
Um dia inteiro (e adentrando a noite) foi destinado para os trabalhos espirituais na floresta. A família do Padrinho Luiz Mendes tem uma relação especial com um ser, chamado Casmerim, que é uma entidade feminina que guarda e protege a floresta. Esse dia de trabalhos espirituais na floresta nos trouxe a uma forte conexão com Casmerim.
O compromisso da Comunidade Fortaleza com a floresta é muito profundo. O novo plano de expansão da comunidade gira em torno do esforço de proteger a parcela restante de floresta natural desta área que tem sido terrivelmente danificada pela derrubada de árvores e queimadas. 

O governo do estado do Acre está lançando muitas iniciativas para desenvolver a visão de trazer as pessoas para junto da terra novamente de maneira harmoniosa e sustentável. Os continuados sucessos eleitorais do Partido dos Trabalhadores têm afirmado esta meta,
assim como o legado de Chico Mendes, que viveu e organizou iniciativas nas proximidades de Xapuri, criou uma consciência em favor do desenvolvimento sustentável e da proteção da floresta.
O plano da Fortaleza parece parte de uma visão Acreana de que a sua vez é chegada.
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EM HARMONIA COM A NATUREZA
Além da floresta natural em seu centro,
a Fortaleza é cheia de plantações -- frutas

e verduras para comer,
plantações de cobertura para ajudar a restauração do solo,
e flores para trazer alegria e beija-flores.

A beleza das pessoas vivendo e trabalhando em harmonia com a natureza é sentida de muitas maneiras.
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TRABALHO
A Fortaleza é um lugar de muito trabalho e cheio de atividades, de modo que pessoas limpavam,
cozinhavam,
administravam a loja de artesanato,
carregavam coisas,
faziam o registro dos visitantes
davam massagens,
e faziam vídeos.
Padrinho Luiz era o exemplo. Geralmente era o primeiro a se levantar pela manhã, fazia o café para a família e então partia para realizar alguma atividade como instalar a fiação elétrica na nova secretaria 
ou, mais freqüentemente, capinar a horta.
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DESCONTRAÇÃO E DIVERSÃO
Durante o Encontro a maioria dos eventos foi no período da noite, e o trabalho precisava ser feito pela manhã. Era um calendário cheio, mas havia muitos momentos de descontração,
de descanso,
de compartilhamento,
de conversa,
de cantar,
de dançar,
de aprender,
de fazer palhaçada,
ou simplesmente de se divertir uns com os outros.
Eu podia andar por aí com minha câmera e capturar essas cenas. Freqüentemente eu ouvia alguém me chamando: "Lou, foto!", e estava lá um grupo pronto posando para a foto.
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O NOVO E O VELHO
A Fortaleza tem uma espécie de inclinação tanto para o passado quanto para o futuro: havia uma antiga casa construída na floresta por seringueiros;
famílias vizinhas passavam pelo tradicional caminho carregando porcos e produtos para o comércio;

havia um fogão a carvão vegetal e uma fornalha para fazer o carvão;

as estruturas existentes eram típicas do Acre rural, como a caixa d'água;
a luz matinal inundando a cozinha de dona Rizelda dava à área uma sensação de eterno;
e a sua máquina de costura Singer era simplesmente igual a que a minha própria avó utilizava.
Às vezes o velho e o novo se misturavam como o carro de boi e a antena parabólica em frente à casa da família.
A antena se tornou possível por causa do recente programa rural de universalização do acesso e uso da energia elétrica e a tecnologia mais recente chegou ao uso.
Os visitantes chegaram com suas câmeras digitais e seus laptops.
Solon explicou a visão de expansão da comunidade usando uma imagem de
satélite digital da região;
e Débora desenhou os planos de criação de uma comunidade virtual de amigos na internet.
Algumas coisas parecem continuar mesmo com todas as mudanças. E agora eles têm novas modas como jogar bingo por um grande prêmio -- os marcadores sendo caroços de milho
e o prêmio um aparelho de DVD.
E algumas coisas são para sempre, como o tradicional churrasco.
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ROSTOS FELIZES
Eu amo tirar fotos dos rostos no Brasil -- existem muitas pessoas bonitas aqui.


E no Encontro na Fortaleza havia também pessoas do
França,
Canadá e Inglaterra,
África,
Brasil e Estados Unidos,
todos juntos.
Eu não quero insinuar que todo mundo estava o tempo todo feliz ou que não havia dificuldades como o calorão e os insetos diversos. Mas a meu ver,
havia um espantoso número de rostos radiantes.
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TEATRO
Uma maravilhosa peça teatral foi apresentada sob a luz de tochas, na floresta, numa clareira denominada Terreiro do Cipó. Aqui, sob o encantamento de tochas e árvores,
a família e amigos apresentaram lendas da floresta baseadas em personagens do folclore Amazônico -- espíritos da floresta como "Caboclinho da Mata", "Curupira", "Boto Rosa" e "Matita Pereira"



que são doces e auxiliam aqueles que vivem em harmonia com a natureza, mas que se tornam ferozes ao enxotarem os malfazejos.
O tema central era a necessidade de protegermos a floresta e respeitarmos as plantas e os animais.
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FORRÓ
Forró é um estilo musical originário do Nordeste brasileiro, aonde nasceu o Mestre Irineu. Na sua formatação moderna é uma dança vigorosa como a polca, porém mais ritmada e com movimento de quadris
e sua reformulação se tornou popular no cenário musical brasileiro. Na Fortaleza é dançado sobretudo ao estilo da valsa à moda antiga.


A chave para o sucesso do Forró é ter um mestre do acordeom, e foi exatamente o que tivemos com a presença do Guilherme Granjeiro.

Houve uma grande festa ao som do forró como parte do Encontro, mas com o Guilherme por perto o pessoal acabou entrando na dança muitas vezes.

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SAUDADES
Despedidas podem ser duras, especialmente depois de compartilhar tanta alegria.
Mas é também especial ter esta conexão no coração que apenas o desejo de estar com os que amamos ou a falta de nossa terra natal nos traz.
Não existe uma boa palavra para traduzir isso em inglês -- nostálgico ou saudoso não captam completamente a profundidade do sentimento. Mas a palavra "saudade" -- uma ausência ou um desejo ardente do fundo do coração -- realmente capta isso.
Quando os brasileiros se reúnem eles dizem que estão "matando a saudade". É por isso que todos já estão pensando e se planejando para o próximo Encontro com a família e os amigos da Fortaleza.
Vejo vocês no próximo ano (ou antes).
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Lou Gold
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Encontro para o Novo Horizonte
Exposição Video
Comunidade Fortaleza
Capixaba, Acre, Brasil
30/12/2006 a 09/01/2007
(Traduzido por Bruno Correia)
Meus momentos no Encontro na Fortaleza e com a família do Padrinho Luiz Mendes no Acre foram muito especiais. Os brasileiros têm um belo dizer usado quando eles discobrem uma profunda conexão - o dizer, "encontrei minha praia". Sim, assim que foi pra mim -- eu encontrei minha praia, com certeza!
A MELHOR FESTA DE TODAS!
A noite do dia 3 para 4 de janeiro foi longa e difícil pra mim. Foi o meu quarto intenso trabalho espiritual como em muitos dias. A ocasião era de alegria -- celebração do 67º aniversário do Mestre Conselheiro Luiz Mendes. Mas, de verdade, eu estava me esforçando para me firmar em meu lugar. O sacramento estava muito forte, assim como a umidade, o calor, os insetos e minhas alergias na pele. O trabalho espiritual foi longo, uma noite toda cantando e bailando hinos da Doutrina. Para mim, essa "yoga do amor" é um trabalho duro e pela manhã eu estava exausto. Eu fui quase que me arrastando para o camping com esperança de dormir algumas horas antes que ficasse muito quente pra ficar dentro da barraca.
Assim que eu estava prestes a entrar na barraca, minha amiga Beatriz chegou correndo e me chamando:
"Rápido Lou.
Junte-se aos normais.
Traga sua câmera.
Essa é a melhor festa de todas."
Quando eu cheguei lá, o forró já tinha começado.
Eu olhei para a cena com descrença. O trabalho espiritual havia iniciado com o terço no fim da tarde anterior. Já tinha se passado 15 horas. Ninguém tinha dormido nem um pouco. E ainda, a energia era incrível e eu subitamente senti todo o meu cansaço desaparecer. Eu pensei, "Que estranho, como pode?" E então a música mudou e cantamos e dançamos alguns hinos da Nova Jerusalém do Padrinho Sebastião.
O primeiro hino é
#24 - ESTOU AQUI
Estou aqui, porque meu Pai me mandou
Estou aqui, porque sou o Salvador
Engarrafei, sempre vivo engarrafado
E o povo muito animado
Procurando seu valor
Estou aqui, porque meu Pai me mandou
Estou aqui, porque sou o Salvador
O Mestre diz, o Mestre canta, o Mestre fala
E o povo se atrapalha
Na linha do amor
... e eu pensei,
"Oh, entendi. Isto é como é viver dentro da Doutrina do Mestre Irineu. Isto é como é ser um com Deus. Isto é a Nova Jerusalém. Em união, nós somos Aquele por quem temos esperado".
Era como se tivéssemos trabalhado a noite inteira para limpar, para polir, para aperfeiçoar, para alcançar a união e naquele momento estávamos recebendo a colheita, os doces frutos dos nossos esforços. O amor veio derramando em nossa frente e fluindo em todas as direções.
O jovem Sebastião Gabrich deu um presente musical especial para o Padrinho Luiz Mendes e cantou, em dueto com Saturnino, a bem conhecida e amada canção clássica
"Como é Grande o meu Amor por Você"
Depois vieram as músicas de parabéns para o Vovô Luiz Mendes, Junaída e Janaína. Todas as canções brasileiras de congratulações dizem: Parabéns, Parabéns, Parabéns.
Existem muitos momentos especiais na tradição do Santo Daime. Um momento que tem uma significante importância pessoal e muita emoção é quando indivíduos decidem assumir o compromisso com o caminho, se tornando um membro da tripulação ao invés de simplesmente ser um passageiro na embarcação. A iniciação, que foi tanto solene quanto doce, ocorreu durante o intervalo da cerimônia de celebração do Dia dos Santos Reis.
As festividades incluíram uma inacreditável cantoria vigorosa e alegre das Diversões do Mestre Irineu.
MAIS VIAGENS
Depois do Encontro na Fortaleza, nós continuamos pela estrada do amor e da alegria até o Centro da família em Bujari, próximo de Rio Branco, para celebrar o festejo de São Sebastião.
Estou de volta a Brasília neste momento usando a conexão rápida da internet da casa do Murilo para preparar este blog, mas em breve estarei na estrada novamente, me encontrando com a comitiva para mais celebrações com o Santo Daime durante o período de carnaval em Santa Luzia, Matutu e São Paulo. Sinto-me incrivelmente grato -- como meus amigos Índios Norte Americanos diriam -- por estar andando no caminho de beleza.
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Lou Gold
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